Leia o texto para responder às questões de números 12 a 15.
O substituto da vida
Quando meu instrumento de trabalho era a máquina de escrever, eu me sentava a ela, punha uma folha de papel no rolo, escrevia o que tinha de escrever, lia o que escrevera e fazia eventuais emendas. Relia-o para ver se era aquilo mesmo, fechava a máquina, entregava a matéria e ia à vida.
Se já trabalhasse em casa, ao terminar de escrever, eu fechava a máquina e abria um livro, escutava um disco, dava um pulo rapidinho à praia, ia ao Centro da cidade varejar sebos. Só reabria a máquina no dia seguinte.
Hoje, diante do computador, termino de produzir um texto, vou à lista de mensagens para saber quem me escreveu, deleto mensagens inúteis, respondo às que precisam de resposta, entro em jornais e revistas on-line, interesso-me por várias matérias e vou abrindo-as uma a uma. Quando me dou conta, já é noite lá fora e não saí da frente da tela.
Com o smartphone seria pior ainda. Ele substituiu a caneta, o bloco, a agenda, o telefone, o rádio, a TV – a vida. É por isso que nem lhe chego perto: temo que ele me substitua também.
(Ruy Castro. A arte de querer bem. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018)
De acordo com o autor, a substituição da máquina de
escrever pelo computador
Leia o texto para responder às questões de números 04 a 11.
Quando o efêmero dura
Uma das mais fabulosas tecnologias humanas é a escrita. Ela nos permitiu ampliar a memória para horizontes antes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter. Nosso modo de vida provavelmente não diferiria muito do de nossos ancestrais de épocas remotas.
Uma tecnologia assim poderosa não poderia ter passado sem deixar marcas. De início, poucos dominavam as letras, de modo que saber ler e escrever se tornou uma distinção de classe social. À medida que surgiram tecnologias mais eficientes de reprodução e o ensino público se popularizou, o alfabetismo se tornou quase universal.
No nível comportamental, havia uma divisão muito clara entre a comunicação formal, calculada, destinada a durar (escrita), e aquela mais íntima, vaga (oral), que, justamente por não deixar traços, podia operar como uma sonda da sociabilidade, testando relacionamentos, fofocando, às vezes até zombando e insultando. O ex-presidente Michel Temer matou a charada ao proclamar: verba volant, scripta manent* .
O problema é que as tecnologias não pararam de evoluir, dando lugar a computadores, celulares, aplicativos de mensagens, redes sociais etc. As pessoas vêm cada vez mais usando a escrita para comunicar-se no registro informal, que conta com o caráter efêmero da fala. Pior, a reprodutibilidade e transmissão de diálogos privados se tornaram potencialmente infinitos.
O resultado é uma explosão de curtos-circuitos sociais, nos quais mensagens concebidas para circular entre poucos ganham ampla difusão. Às vezes a divulgação é de interesse público, mas, com maior frequência, ela só azeda amizades ou intoxica o ambiente de trabalho.
Isso demonstra que é preciso ver com certa preocupação a redução dos espaços de experimentação social, onde é lícito falar bobagem.
No período do primeiro parágrafo – Não fosse por ela,
jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento… –, a frase destacada
expressa, em relação ao restante do enunciado, uma
Leia o texto para responder às questões de números 04 a 11.
Quando o efêmero dura
Uma das mais fabulosas tecnologias humanas é a escrita. Ela nos permitiu ampliar a memória para horizontes antes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter. Nosso modo de vida provavelmente não diferiria muito do de nossos ancestrais de épocas remotas.
Uma tecnologia assim poderosa não poderia ter passado sem deixar marcas. De início, poucos dominavam as letras, de modo que saber ler e escrever se tornou uma distinção de classe social. À medida que surgiram tecnologias mais eficientes de reprodução e o ensino público se popularizou, o alfabetismo se tornou quase universal.
No nível comportamental, havia uma divisão muito clara entre a comunicação formal, calculada, destinada a durar (escrita), e aquela mais íntima, vaga (oral), que, justamente por não deixar traços, podia operar como uma sonda da sociabilidade, testando relacionamentos, fofocando, às vezes até zombando e insultando. O ex-presidente Michel Temer matou a charada ao proclamar: verba volant, scripta manent* .
O problema é que as tecnologias não pararam de evoluir, dando lugar a computadores, celulares, aplicativos de mensagens, redes sociais etc. As pessoas vêm cada vez mais usando a escrita para comunicar-se no registro informal, que conta com o caráter efêmero da fala. Pior, a reprodutibilidade e transmissão de diálogos privados se tornaram potencialmente infinitos.
O resultado é uma explosão de curtos-circuitos sociais, nos quais mensagens concebidas para circular entre poucos ganham ampla difusão. Às vezes a divulgação é de interesse público, mas, com maior frequência, ela só azeda amizades ou intoxica o ambiente de trabalho.
Isso demonstra que é preciso ver com certa preocupação a redução dos espaços de experimentação social, onde é lícito falar bobagem.
Na passagem – Ela nos permitiu ampliar a memória para
horizontes antes inimagináveis. –, o termo destacado é
empregado em sentido
Leia o texto para responder às questões de números 04 a 11.
Quando o efêmero dura
Uma das mais fabulosas tecnologias humanas é a escrita. Ela nos permitiu ampliar a memória para horizontes antes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter. Nosso modo de vida provavelmente não diferiria muito do de nossos ancestrais de épocas remotas.
Uma tecnologia assim poderosa não poderia ter passado sem deixar marcas. De início, poucos dominavam as letras, de modo que saber ler e escrever se tornou uma distinção de classe social. À medida que surgiram tecnologias mais eficientes de reprodução e o ensino público se popularizou, o alfabetismo se tornou quase universal.
No nível comportamental, havia uma divisão muito clara entre a comunicação formal, calculada, destinada a durar (escrita), e aquela mais íntima, vaga (oral), que, justamente por não deixar traços, podia operar como uma sonda da sociabilidade, testando relacionamentos, fofocando, às vezes até zombando e insultando. O ex-presidente Michel Temer matou a charada ao proclamar: verba volant, scripta manent* .
O problema é que as tecnologias não pararam de evoluir, dando lugar a computadores, celulares, aplicativos de mensagens, redes sociais etc. As pessoas vêm cada vez mais usando a escrita para comunicar-se no registro informal, que conta com o caráter efêmero da fala. Pior, a reprodutibilidade e transmissão de diálogos privados se tornaram potencialmente infinitos.
O resultado é uma explosão de curtos-circuitos sociais, nos quais mensagens concebidas para circular entre poucos ganham ampla difusão. Às vezes a divulgação é de interesse público, mas, com maior frequência, ela só azeda amizades ou intoxica o ambiente de trabalho.
Isso demonstra que é preciso ver com certa preocupação a redução dos espaços de experimentação social, onde é lícito falar bobagem.
No texto, é apontado pelo autor como um equívoco
Leia o texto para responder às questões de números 04 a 11.
Quando o efêmero dura
Uma das mais fabulosas tecnologias humanas é a escrita. Ela nos permitiu ampliar a memória para horizontes antes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter. Nosso modo de vida provavelmente não diferiria muito do de nossos ancestrais de épocas remotas.
Uma tecnologia assim poderosa não poderia ter passado sem deixar marcas. De início, poucos dominavam as letras, de modo que saber ler e escrever se tornou uma distinção de classe social. À medida que surgiram tecnologias mais eficientes de reprodução e o ensino público se popularizou, o alfabetismo se tornou quase universal.
No nível comportamental, havia uma divisão muito clara entre a comunicação formal, calculada, destinada a durar (escrita), e aquela mais íntima, vaga (oral), que, justamente por não deixar traços, podia operar como uma sonda da sociabilidade, testando relacionamentos, fofocando, às vezes até zombando e insultando. O ex-presidente Michel Temer matou a charada ao proclamar: verba volant, scripta manent* .
O problema é que as tecnologias não pararam de evoluir, dando lugar a computadores, celulares, aplicativos de mensagens, redes sociais etc. As pessoas vêm cada vez mais usando a escrita para comunicar-se no registro informal, que conta com o caráter efêmero da fala. Pior, a reprodutibilidade e transmissão de diálogos privados se tornaram potencialmente infinitos.
O resultado é uma explosão de curtos-circuitos sociais, nos quais mensagens concebidas para circular entre poucos ganham ampla difusão. Às vezes a divulgação é de interesse público, mas, com maior frequência, ela só azeda amizades ou intoxica o ambiente de trabalho.
Isso demonstra que é preciso ver com certa preocupação a redução dos espaços de experimentação social, onde é lícito falar bobagem.
O autor do texto trata
A confiança dentro dos círculos militares
alemães era enorme e, até o final de 1941, era
fácil entender o porquê. Os exércitos de Hitler,
ao conquistarem mais partes da Europa do que
Napoleão jamais havia conquistado, pareciam
prestes a tomar Moscou e talvez Leningrado na
primavera seguinte. Era possível que o Japão
subitamente atacasse a União Soviética pelo
leste, enquanto os alemães continuariam a
ataca-la do oeste, apertando o Urso Russo até
a morte. As decisões japonesas, imprevisíveis
para um observador distante, determinariam
em parte os resultados da guerra, então em seu
terceiro ano. Em Tóquio, os líderes sabiam que
aquela era uma formidável oportunidade de
derrotar o velho inimigo. Haviam lutado contra
a Rússia em uma guerra vitoriosa nos anos de
1904-1905 e, muito rapidamente em um
confronto armado sem resolução que começara
na Mongólia em maio de 1939. Ali estava a
oportunidade de investir decisivamente. Os
russos deslocavam tanques, retirando-os da
Sibéria e mandando-os para as proximidades
de Moscou, para reforçar as defesas da cidade.
Por outro lado, os japoneses tinham a
oportunidade de lançar um ataque pelo sul
contra as enfraquecidas colônias europeias que
se estendiam desde Hong Kong e da Birmânia,
sob domínio britânico, até as Índias Orientais
Neerlandesas, ricas em petróleo. (BLAINEY,
Gooffrey. Uma Breve História do Século XX.
2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 144).
A palavra “formidável”, utilizada na linha 15
do texto, tem como sinônimo:
A confiança dentro dos círculos militares
alemães era enorme e, até o final de 1941, era
fácil entender o porquê. Os exércitos de Hitler,
ao conquistarem mais partes da Europa do que
Napoleão jamais havia conquistado, pareciam
prestes a tomar Moscou e talvez Leningrado na
primavera seguinte. Era possível que o Japão
subitamente atacasse a União Soviética pelo
leste, enquanto os alemães continuariam a
ataca-la do oeste, apertando o Urso Russo até
a morte. As decisões japonesas, imprevisíveis
para um observador distante, determinariam
em parte os resultados da guerra, então em seu
terceiro ano. Em Tóquio, os líderes sabiam que
aquela era uma formidável oportunidade de
derrotar o velho inimigo. Haviam lutado contra
a Rússia em uma guerra vitoriosa nos anos de
1904-1905 e, muito rapidamente em um
confronto armado sem resolução que começara
na Mongólia em maio de 1939. Ali estava a
oportunidade de investir decisivamente. Os
russos deslocavam tanques, retirando-os da
Sibéria e mandando-os para as proximidades
de Moscou, para reforçar as defesas da cidade.
Por outro lado, os japoneses tinham a
oportunidade de lançar um ataque pelo sul
contra as enfraquecidas colônias europeias que
se estendiam desde Hong Kong e da Birmânia,
sob domínio britânico, até as Índias Orientais
Neerlandesas, ricas em petróleo. (BLAINEY,
Gooffrey. Uma Breve História do Século XX.
2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 144).
A expressão “o porquê”, utilizada pelo autor na
linha 3 do texto, pode ser substituída por:
A confiança dentro dos círculos militares
alemães era enorme e, até o final de 1941, era
fácil entender o porquê. Os exércitos de Hitler,
ao conquistarem mais partes da Europa do que
Napoleão jamais havia conquistado, pareciam
prestes a tomar Moscou e talvez Leningrado na
primavera seguinte. Era possível que o Japão
subitamente atacasse a União Soviética pelo
leste, enquanto os alemães continuariam a
ataca-la do oeste, apertando o Urso Russo até
a morte. As decisões japonesas, imprevisíveis
para um observador distante, determinariam
em parte os resultados da guerra, então em seu
terceiro ano. Em Tóquio, os líderes sabiam que
aquela era uma formidável oportunidade de
derrotar o velho inimigo. Haviam lutado contra
a Rússia em uma guerra vitoriosa nos anos de
1904-1905 e, muito rapidamente em um
confronto armado sem resolução que começara
na Mongólia em maio de 1939. Ali estava a
oportunidade de investir decisivamente. Os
russos deslocavam tanques, retirando-os da
Sibéria e mandando-os para as proximidades
de Moscou, para reforçar as defesas da cidade.
Por outro lado, os japoneses tinham a
oportunidade de lançar um ataque pelo sul
contra as enfraquecidas colônias europeias que
se estendiam desde Hong Kong e da Birmânia,
sob domínio britânico, até as Índias Orientais
Neerlandesas, ricas em petróleo. (BLAINEY,
Gooffrey. Uma Breve História do Século XX.
2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 144).
De acordo com o autor do texto, analise os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta:
I – Havia a possibilidade de os japoneses atacarem os russos pelo oeste.
II – Os japoneses invadiram Leningrado no ano de 1939.
III – A Birmânia resistiu a ataques das tropas
neerlandesas.
A confiança dentro dos círculos militares
alemães era enorme e, até o final de 1941, era
fácil entender o porquê. Os exércitos de Hitler,
ao conquistarem mais partes da Europa do que
Napoleão jamais havia conquistado, pareciam
prestes a tomar Moscou e talvez Leningrado na
primavera seguinte. Era possível que o Japão
subitamente atacasse a União Soviética pelo
leste, enquanto os alemães continuariam a
ataca-la do oeste, apertando o Urso Russo até
a morte. As decisões japonesas, imprevisíveis
para um observador distante, determinariam
em parte os resultados da guerra, então em seu
terceiro ano. Em Tóquio, os líderes sabiam que
aquela era uma formidável oportunidade de
derrotar o velho inimigo. Haviam lutado contra
a Rússia em uma guerra vitoriosa nos anos de
1904-1905 e, muito rapidamente em um
confronto armado sem resolução que começara
na Mongólia em maio de 1939. Ali estava a
oportunidade de investir decisivamente. Os
russos deslocavam tanques, retirando-os da
Sibéria e mandando-os para as proximidades
de Moscou, para reforçar as defesas da cidade.
Por outro lado, os japoneses tinham a
oportunidade de lançar um ataque pelo sul
contra as enfraquecidas colônias europeias que
se estendiam desde Hong Kong e da Birmânia,
sob domínio britânico, até as Índias Orientais
Neerlandesas, ricas em petróleo. (BLAINEY,
Gooffrey. Uma Breve História do Século XX.
2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 144).
Considerando o texto acima, analise os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta:
I – Ao se comparar as conquistas de Hitler e Napoleão na Europa, pode-se afirmar que este conquistou mais território do que aquele.
II – Rússia e Japão jamais conflitaram entre si.
III – A Primeira Guerra Mundial teve início no
ano de 1959.