Questão Q510293 de Português

Resolva esta questão de Português sobre Crase, aplicada pela banca Grupo TALENT.

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No panteão dos vilões mais icônicos da literatura fantástica contemporânea, poucos personagens despertam tanto fascínio e repulsa quanto Bellatrix Lestrange, a mais devota e perigosa Comensal da Morte do universo de Harry Potter. Nascida Bellatrix Black, em uma das famílias mais antigas e tradicionais da pureza sanguínea, ela personifica a decadência moral da aristocracia bruxa, trocando o prestígio ancestral por uma devoção cega e doentia a Lord Voldemort, a quem servia como uma sacerdotisa em um culto macabro. Diferentemente de outros seguidores movidos pelo medo ou pela ambição, Bellatrix amava a causa das trevas com uma paixão arrebatadora e quase erótica, encontrando na crueldade e na tortura não apenas um dever, mas uma forma suprema de prazer, como demonstrou ao aplicar a Maldição Cruciatus em Frank e Alice Longbottom até que ambos perdessem a sanidade. Sua risada estridente, seus olhos esbugalhados de fanatismo e sua varinha desferindo feitiços assassinos com uma elegância sádica tornaram-na uma força da natureza caótica e destrutiva, cuja lealdade a Voldemort – ao contrário de muitos – jamais vacilou, nem mesmo diante dos longos anos de aprisionamento em Azkaban, onde os dementadores apenas reforçaram sua insanidade em vez de quebrar seu espírito.
O ápice de sua trajetória sombria, no entanto, revela não apenas sua ferocidade, mas também as trágicas contradições que a definiam como personagem – uma mulher capaz de matar o próprio primo, Sirius Black, com um feitiço que o lançou para além do Véu da Morte, e de guardar a taça de Helga Hufflepuff no cofre de seu banco com a precisão de uma estrategista, enquanto exalava o desprezo mais profundo por qualquer ser que não ostentasse sangue puro. A Batalha de Hogwarts, onde finalmente encontrou seu fim, foi o palco de sua última e mais memorável performance: confrontada por Molly Weasley, a mãe amorosa que ela desprezava, Bellatrix subestimou o poder do amor e da proteção materna – forças que, ironicamente, sempre foram a antítese de sua existência – e tombou sob o feitiço que a transformou em pó, encerrando a vida de uma bruxa cujo legado é o exemplo mais assustador de como a ideologia pode corromper a alma humana. Mais do que uma simples antagonista, Bellatrix Lestrange permanece como um espelho distorcido do que há de mais sombrio na natureza humana: a renúncia total à própria identidade em nome de uma causa que promete poder, mas entrega apenas aniquilação. Sua história inquieta porque nos força a encarar a inquietante verdade de que os maiores monstros não são aqueles que agem por maldade pura, mas aqueles que, por amor a uma ideia, transformam o amor em ódio e a vida em instrumento da morte.

Considere o trecho:


“... Bellatrix Lestrange permanece como um espelho distorcido do que há de mais sombrio na natureza humana: a renúncia total à própria identidade em nome de uma causa que promete poder, mas entrega apenas aniquilação.”


O uso do acento grave está correto no excerto. Isso não ocorre em:

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