Caçando discos-voadores
Certa vez meus pais chegaram de
viagem estupefatos. Era uma agradável noite de
sexta, em pleno verão, e eles vinham da capital
- um trajeto de duas horas e meia, no máximo,
que eles faziam cerca de uma vez por mês. No
carro ainda estavam minha irmã, meu tio e uma
vizinha, então todos foram testemunhas. Era
normal chegarem cansados, porém comentando
animadamente algo de "extraordinário" que
ocorrera em sua rápida visita à cidade grande.
Qualquer coisa podia ser motivo de espanto
para pacatos moradores de uma cidadezinha do
interior. Porém, daquela vez, era algo realmente
grande: minha família relatava, com toda a
seriedade, ter presenciado a aparição de um
óvni.
Eu quis saber todos os detalhes, é claro,
e foi incrível poder ouvir as diferentes versões
de todos os passageiros. Em resumo, o que ouvi
foi que já no terço final da viagem, pouco
depois de anoitecer, minha irmã, no banco de
trás do carro, notou pela janela uma luz no céu
e brincou, dizendo estar vendo um discovoador. (...)
Excitados com o testemunho e sentindo
o meu desapontamento por não ter presenciado,
meus pais decidiram, na noite seguinte, me
levar até o local do avistamento. Rumamos sem
tirar os olhos do céu, que estava apinhado de
estrelas, e paramos em um campo próximo à
rodovia, debaixo de araucárias, aguardando
novo espetáculo.
Ficamos lá por mais de uma hora, meio
temerosos do que podia ocorrer, conversando
sobre aquele que era um dos maiores mistérios
do universo. (...)
Se veremos, algum dia, algo realmente
espantoso? Tenho certeza que sim. Até lá,
sempre teremos esses encontros incríveis,
olhando o céu noturno, conversando sobre o
cosmo e o sentido da vida, nos sentindo pequeninos diante de algo tão imenso e
maravilhoso, eternamente renovando a nossa
infinita capacidade de assombro.
RIESEMBERG, L. F. Caçando discos-voadores. Contos
fantásticos. Disponível em
<https://www.riesemberg.com/2024/04/cacando-discosvoadores-lfriesemberg.html?m=1>.
Escolha quais comentários gostaria de ver