Professores do Brasil
Um estudo recente com o mesmo título desta coluna,
lançado pela Unesco e pela Fundação Carlos Chagas, traz
novas luzes sobre a profissão de professor no país.
Há boas notícias: uma maior diversidade entre os mestres e um número maior de inscritos em cursos de formação
inicial. Mas, por trás desses fatos alvissareiros, aparece um
desafio.
Na verdade, o aumento nas inscrições não reflete maior
prestígio da carreira, afinal só 2,9% dos jovens brasileiros de
15 anos dizem desejar ser docentes da educação básica.
Na publicação, ressalta-se que 46% das matrículas se
deram na modalidade de ensino a distância, o que é claramente inadequado para uma profissão que exige intensa
conexão com a prática.
Ora, as competências para esse trabalho dificilmente
podem ser desenvolvidas em um curso a distância. Seria o
mesmo que esperar que um médico aprendesse a operar
pacientes em cursos puramente teóricos e online.
Muitos dos cursos oferecidos o são por instituições privadas que não produzem pesquisas e contam com currículos
dissociados da realidade da escola. Além disso, a oferta de
licenciaturas noturnas, com carga horária diminuta, associada a um estágio tão curto quanto ritualístico, enfraquece a
possibilidade de aprendizado efetivo.
Sabemos hoje que a qualidade do professor é o fator
determinante para assegurar excelência com equidade, o
que pode ter impactos não só nos próprios alunos como na
melhoria da produtividade, há tanto tempo estagnada, e na
diminuição da pobreza e da desigualdade social.
Assim, investir em atratividade da carreira, com salários
competitivos e acesso mais seletivo à profissão, aprimorar
a formação que professores recebem no ensino superior,
vinculando-a com a prática e associando-a aos achados das
pesquisas recentes, é não apenas urgente mas também o
caminho para a construção de um país mais justo e desenvolvido.
(Claudia Costin, “Professores do Brasil”. Em:
Folha de S.Paulo, 17.05.2019. Adaptado)
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