Nenhum estudante vai perder o ano
Quando as aulas foram interrompidas por causa da
covid-19, as escolas de Nova York tiveram uma semana para
a formação de professores e a elaboração das atividades a
serem desenvolvidas com os alunos, ao mesmo tempo em
que foi realizado um censo sobre a disponibilidade de equipamentos e internet em casa para que se garantisse acesso
a todos.
Após um mês, na tradicional parada de uma semana na
primavera, enquanto os estudantes se dedicavam a atividades voltadas ao desenho de projeto de vida, os educadores
desenharam um novo planejamento, baseado na experiência
inicial e em uma pesquisa realizada com os pais e estudantes.
As atividades escolares diárias foram reorganizadas, assim
como os critérios de avaliação, que se baseia nas tarefas
realizadas em casa, pontuadas ou não, e avaliações criadas
pelos professores.
Nem tudo é perfeito: como todas as grandes redes, a de
Nova York é heterogênea. A terceira fase de mudanças desse ano letivo que se encerra no fim de junho veio com o reconhecimento de que muitos estudantes não tiveram acesso
a computadores e conectividade no tempo adequado e que
parte deles pode ter passado pelo trauma de perder entes
queridos ou ter tido sua saúde mental abalada.
Foram alterados os critérios de avaliação. Nenhum estudante será reprovado e serão criadas três faixas de classificação, de acordo com a situação de cada estudante, antes
e depois do “fechamento” das escolas. São eles “Atende aos
Padrões”, “Precisa de Melhoria” ou “Curso em Andamento”,
se for necessário tempo adicional para que o estudante conclua o curso.
A decisão não significa que “os alunos passarão sem
saber”. Para os alunos que não progrediram o esperado
haverá reforço nas férias de verão e ao longo do próximo ano
letivo, que se inicia em setembro.
Os americanos estão no fim de seu ano letivo, ao contrário do Brasil, que está na metade. O que sua experiência
nos ensina é que em meio a uma crise nosso foco deve ser
o de responder uma questão: para quem a escola pública
trabalha?
(Alexandre Schneider, “Nenhum estudante vai perder o ano”.
Folha de S.Paulo, 07.05.2020. Adaptado)
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