Centenário da violeira Helena Meirelles (1924-2005)
Foi na fazenda Jararaca, embarcadouro de gado localizado na margem direita do rio Paraná, leste de Mato Grosso
do Sul, que desabrochou artisticamente a violeira, cantora e
compositora Helena Meirelles (1924-2005). Nascida numa
época em que eram raras as mulheres que tocavam qualquer
que fosse o instrumento, ela desafiou tal impedimento ainda
criança, quando aprendeu a dedilhar suas primeiras “modas”
com um tio, em festas familiares. Anos mais tarde, uma nova
afronta: para seguir tocando, já adolescente, Helena fugiu de
casa, em mais um dos episódios que marcaram uma vida
cheia de escolhas que conduziram seus futuros passos e que
tornaram, ela e sua viola, inseparáveis.
“Desde pequenininha, já nasci com aquilo. Eu via tocarem violão e ficava doidinha, queria tocar. Ficava olhando os
paraguaios, na afinação, no solo, e fui gravando. Minha cabeça era um gravador (…) eu já queria ser eu como eu sou
até hoje. Só Deus e mais ninguém para me escorar. Ninguém
manda em mim. Eu sou a dona do meu nariz e da minha
direção”, afirmou a artista no documentário Dona Helena
(2006), de Dainara Toffoli.
O espírito rebelde só não foi maior que o extraordinário
dom para os acordes, refletido na técnica desenvolvida de
forma autodidata e internacionalmente reconhecida. “A eficiência instrumental de Helena resultava de uma vida dedicada a
tocar, com exceção de períodos em que trabalhou na roça, foi
lavadeira, empregada doméstica, e quando viveu em fazendas
no Mato Grosso do Sul. E isso aliado ao seu talento natural”,
analisa o músico e jornalista Mário de Araújo. Sobrinho da
artista, ele conta que Helena tocava bem com qualquer violão
ou viola à mão.
(Manuela Ferreira. Centenário da violeira Helena Meirelles [1924-2005].
Revista E, agosto de 2024, Adaptado)
Escolha quais comentários gostaria de ver