Viver é compartilhar significados, é expressar os sentidos das coisas de tal forma que eles sejam compreendidos
pelos outros. Por isso a insistência para que os saberes
aprendidos na escola sejam significativos: porque são
imprescindíveis para viver. Daí a necessidade da abertura do
currículo para a experiência e o conhecimento existentes fora
do contexto escolar.
Na vida estamos permanentemente formando sentidos e
compartilhando-os com familiares, amigos, professores, colegas
de escola e de trabalho. Também realizamos essa troca com
escritores, compositores, cineastas, artistas em geral e até com
os inúmeros interlocutores anônimos dos meios de comunicação e do ciberespaço. Mas o que diferencia a situação de
aprendizagem escolar das demais? Por que, apesar das muitas
oportunidades de elaborar conhecimentos significativos, nenhuma substitui a que acontece na sala de aula?
Primeiro, porque na escola a construção dos saberes é
deliberada. Tanto o professor quanto o projeto pedagógico têm
uma intenção: existem objetivos a serem alcançados e por isso
ocorre uma seleção do que vai ser ensinado e aprendido. Essa
aprendizagem é também sistemática, pois se dá de acordo com
a organização e a seqüência da metodologia de ensino escolhida pelo docente.
Segundo, porque a escola não pode se limitar a conectar
o conhecimento com a experiência imediata e espontânea.
Pode parecer contraditório, mas não é: cabe à educação, ao
mesmo tempo ou no devido tempo, libertar o aluno do cotidiano,
fazendo-o superar a experiência imediata para poder alcançar
conhecimentos mais amplos e perenes – aqueles sistematizados nas ciências, nas artes e nas linguagens. São esses
que, mobilizados, favorecem o enfrentamento das muitas
tarefas da vida, do trabalho produtivo e o exercício da cidadania
qualificada.
O terceiro ponto é que na escola incidem de forma direta
e intencional os valores éticos, políticos e estéticos da comunidade, visando a mudança e a melhoria da sociedade em
geral. Resumindo: conhecimentos significativos têm como ponto
de partida a experiência do aluno, generalizam-se para permitir
a apropriação e a compreensão mais ampla do mundo físico e
social e aplicam-se de forma pertinente e duradoura às muitas
práticas que configuram a vida humana. [...]
(Guiomar Namo de Mello, Nova escola, novembro de 2004,
p. 18)
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