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Encontradas 173 questões

Na publicação Indagações sobre o Currículo: currículo e avaliação (2008), Fernandes e Freitas destacam que os princípios da educação, as normas legais que a regulamentam e as diretrizes curriculares que orientam a organização da educação básica em suas etapas e modalidades constituem um enorme desafio frente à complexidade do processo educativo, à diversidade cultural e à desigualdade social presentes em nossa realidade. Os autores entendem que, para uma resposta a esse desafio, no sentido da democratização da educação escolar e da sociedade,

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As sociedades urbano-industriais contemporâneas dependem da educação escolar de seus cidadãos comuns para se manter e para progredir porque os conhecimentos sistematizados estão embutidos em suas práticas produtivas e em suas práticas sociais em geral. Também no Brasil, de industrialização tardia, a educação escolar passa a preocupar o Estado, a partir de meados do século XX. Como nos lembram Fernandes e Freitas, em publicação do MEC – Ministério da Educação e Cultura, intitulada Indagações sobre Currículo: currículo e avaliação (2008), a discussão sobre os conteúdos do ensino não é nova no país e, desde 1988, por determinação da Constituição Federal, o Estado tem o dever de fixar conteúdos mínimos para o ensino fundamental de maneira a assegurar a formação básica comum e

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No contexto contemporâneo, marcado pela ideologia neoliberal que corresponde ao capitalismo transnacional e pela Tecnologia da Informação e das Comunicações, a educação escolar enfrenta grandes desafios em todas as sociedades, mas, principalmente, nos países em desenvolvimento, e sobretudo naqueles que, como o Brasil, carregam o peso da herança do colonialismo e do trabalho escravo, expresso na desigualdade social que marginaliza, exclui do exercício de uma cidadania plena. Em relação a esse contexto, Libâneo (2001) discute, com apoio em concepções de Pedro Demo, quais seriam os atributos da qualidade de uma educação escolar para combater esses processos e garantir o direito à cidadania. Libâneo argumenta que a escola com qualidade social é aquela que

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Delors, no capítulo 8 da obra Educação: um tesouro a descobrir, Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (2021), afirma que a referida Comissão está persuadida de que “escolher um determinado tipo de educação equivale a optar por um determinado tipo de sociedade”. Com essa perspectiva, ao optarmos pela construção de uma sociedade cujo desenvolvimento sustentável articule aspectos econômicos e sociais, com vistas a garantir, a todos, “qualidade de vida”, estaríamos nos compromissando com uma educação escolar que, conforme defende Mantoan (2001), constitua uma “escola de qualidade”, ou seja, uma educação escolar que

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Rios (2011) analisa que “qualquer sociedade se organiza com base na produção da vida material de seus membros e das relações daí decorrentes” e que, “em cada sociedade, a estrutura da organização do trabalho configura de modo peculiar o processo educativo, a tarefa do educador escolar.” A autora entende que “a educação definida como processo de transmissão de cultura está presente em todas as instituições”, mas que, em sociedades capitalistas de classes, como a nossa, “há uma instituição, a escola, cuja função específica é a transmissão da cultura”, ou seja, “a transmissão sistemática do saber historicamente acumulado pela sociedade, com o objetivo de formar os indivíduos” como agentes da construção dessa mesma sociedade. De acordo com argumentações de Rios (2011), a escola tem sido espaço de 

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Joana é orientadora pedagógica e acompanhou uma conversa entre as professoras, que discutiam as questões: “se alfabetiza ou não na Educação Infantil?” e “se prepara ou não para o Ensino Fundamental?”. Assinale a alternativa que deve guiar a conduta de Joana para que seja compatível com o documento Diretrizes Curriculares da Educação básica para a Educação Infantil (Campinas, 2013), naquilo que ele afirma sobre a função social da escrita na educação intencional.

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A Resolução CNE/CEB nº 04/2010 define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Considerando os diferentes níveis de ensino da educação básica e a organização por ciclos, de acordo com o referido documento, é correto afirmar que

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 A evasão escolar é uma variável fundamental quando se pensa a escola democrática e de qualidade, pois um nível alto de desistência dos alunos tem uma série de impactos não apenas pedagógicos, mas também macrossociais. Assim, cabe ao processo de Avaliação Institucional (AI) acompanhar também os índices de evasão de uma unidade escolar. Tendo em vista esse contexto sobre evasão e o papel que o orientador pedagógico (OP) tem na AI e na Comissão Própria de Avaliação (CPA), de acordo com o documento Avaliação como instância mediadora da qualidade da escola pública, assinale a alternativa correta

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Texto associado

O homem chega em casa, abre a porta e é recebido pela mulher e os dois filhos, alegremente. Distribui beijos entre todos, pergunta o que há para jantar e dirige-se para o seu quarto. Vai tomar um banho, trocar de roupa e preparar-se para algumas horas de sossego na frente da televisão antes de dormir. Quando está abrindo a porta do seu quarto, ouve uma voz que grita:

- Corta! O homem olha em volta, atônito. Descobre que sua casa não é uma casa, é um cenário. Vem alguém e tira o jornal e a pasta das suas mãos. Uma mulher vem ver se a sua maquiagem está bem e põe um pouco de pó no seu nariz. Aproxima-se um homem com um script na mão dizendo que ele errou uma das falas na hora de beijar as crianças.

- O que é isso? - pergunta o homem. - Quem são vocês? O que estão fazendo dentro da minha casa? Que luzes são essas?

- O que, enlouqueceu? - pergunta o diretor. - Vamos ter que repetir a cena. Eu sei que você está cansado, mas...

- Estou cansado, sim senhor. Quero tomar meu banho e botar meu pijama. Saiam da minha casa. Não sei quem são vocês, mas saiam todos! Saiam!

O diretor fica parado de boca aberta. Toda a equipe fica em silêncio, olhando para o ator. Finalmente o diretor levanta a mão e diz:

- Tudo bem, pessoal. Deve ser estafa. Vamos parar um pouquinho e...

- Estafa coisa nenhuma! Estou na minha casa, com a minha... A minha família! O que vocês fizeram com ela? Minha mulher! Os meus filhos!

O homem sai correndo entre os fios e os refletores, à procura da família. O diretor e um assistente tentam segurá-lo. E então ouve-se uma voz que grita: - Corta! Aproxima-se outro homem com um script na mão. Descobre que o cenário, na verdade, é um cenário. O homem com um script na mão diz:

- Está bom, mas acho que você precisa ser mais convincente.

- Que-quem é você?

- Como, quem sou eu? Eu sou o diretor. Vamos refazer esta cena. Você tem que transmitir melhor o desespero do personagem. Ele chega em casa e descobre que sua casa não é uma casa, é um cenário. Descobre que está no meio de um filme. Não entende nada.

- Eu não entendo...

- Fica desconcertado. Não sabe se enlouqueceu ou não.

- Eu devo estar louco. Isto não pode estar acontecendo. Onde está minha mulher? Os meus filhos? A minha casa?

- Assim está melhor. Mas espere até começarmos a rodar. Volte para a sua marca. Atenção, luzes...

- Mas que marca? Eu não sou personagem nenhum. Eu sou eu! Ninguém me dirige. Eu estou na minha própria casa, dizendo as minhas próprias falas...

- Boa, boa. Você está fugindo um pouco do script, mas está bom.

- Que script? Não tem script nenhum. Eu digo o que quiser. Isto não é um filme. E mais, se é um filme, é uma porcaria de filme. Isto é simbolismo, ultrapassado. Essa de que o mundo é um palco, que tudo foi predeterminado, que não somos mais do que atores... Porcaria!

- Boa, boa. Está convincente. Mas espere começar a filmar. Atenção...

O homem agarra o diretor pela frente da camisa.

- Você não vai filmar nada! Está ouvindo? Nada! Saia da minha casa.

O diretor tenta livrar-se. Os dois rolam pelo chão. Nisto ouve-se uma voz que grita:

- Corta!

Luís Fernando Veríssimo

A partir do que se regulamenta nos documentos legais sobre educação especial no Brasil, como o Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil/MEC, 2008), diante de casos como o de Andreia, é atribuição do orientador pedagógico da escola regular

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O homem chega em casa, abre a porta e é recebido pela mulher e os dois filhos, alegremente. Distribui beijos entre todos, pergunta o que há para jantar e dirige-se para o seu quarto. Vai tomar um banho, trocar de roupa e preparar-se para algumas horas de sossego na frente da televisão antes de dormir. Quando está abrindo a porta do seu quarto, ouve uma voz que grita:

- Corta! O homem olha em volta, atônito. Descobre que sua casa não é uma casa, é um cenário. Vem alguém e tira o jornal e a pasta das suas mãos. Uma mulher vem ver se a sua maquiagem está bem e põe um pouco de pó no seu nariz. Aproxima-se um homem com um script na mão dizendo que ele errou uma das falas na hora de beijar as crianças.

- O que é isso? - pergunta o homem. - Quem são vocês? O que estão fazendo dentro da minha casa? Que luzes são essas?

- O que, enlouqueceu? - pergunta o diretor. - Vamos ter que repetir a cena. Eu sei que você está cansado, mas...

- Estou cansado, sim senhor. Quero tomar meu banho e botar meu pijama. Saiam da minha casa. Não sei quem são vocês, mas saiam todos! Saiam!

O diretor fica parado de boca aberta. Toda a equipe fica em silêncio, olhando para o ator. Finalmente o diretor levanta a mão e diz:

- Tudo bem, pessoal. Deve ser estafa. Vamos parar um pouquinho e...

- Estafa coisa nenhuma! Estou na minha casa, com a minha... A minha família! O que vocês fizeram com ela? Minha mulher! Os meus filhos!

O homem sai correndo entre os fios e os refletores, à procura da família. O diretor e um assistente tentam segurá-lo. E então ouve-se uma voz que grita: - Corta! Aproxima-se outro homem com um script na mão. Descobre que o cenário, na verdade, é um cenário. O homem com um script na mão diz:

- Está bom, mas acho que você precisa ser mais convincente.

- Que-quem é você?

- Como, quem sou eu? Eu sou o diretor. Vamos refazer esta cena. Você tem que transmitir melhor o desespero do personagem. Ele chega em casa e descobre que sua casa não é uma casa, é um cenário. Descobre que está no meio de um filme. Não entende nada.

- Eu não entendo...

- Fica desconcertado. Não sabe se enlouqueceu ou não.

- Eu devo estar louco. Isto não pode estar acontecendo. Onde está minha mulher? Os meus filhos? A minha casa?

- Assim está melhor. Mas espere até começarmos a rodar. Volte para a sua marca. Atenção, luzes...

- Mas que marca? Eu não sou personagem nenhum. Eu sou eu! Ninguém me dirige. Eu estou na minha própria casa, dizendo as minhas próprias falas...

- Boa, boa. Você está fugindo um pouco do script, mas está bom.

- Que script? Não tem script nenhum. Eu digo o que quiser. Isto não é um filme. E mais, se é um filme, é uma porcaria de filme. Isto é simbolismo, ultrapassado. Essa de que o mundo é um palco, que tudo foi predeterminado, que não somos mais do que atores... Porcaria!

- Boa, boa. Está convincente. Mas espere começar a filmar. Atenção...

O homem agarra o diretor pela frente da camisa.

- Você não vai filmar nada! Está ouvindo? Nada! Saia da minha casa.

O diretor tenta livrar-se. Os dois rolam pelo chão. Nisto ouve-se uma voz que grita:

- Corta!

Luís Fernando Veríssimo

A equipe pedagógica, a partir da leitura do Caderno Curricular Temático: narrativas sobre educação especial nas escolas da rede municipal do ensino de Campinas (Campinas, 2020), buscou identificar os aspectos de comprometimento de deficiência intelectual apresentados por Andreia. Assinale a alternativa que apresenta e justifica corretamente um tipo de competência apresentada no documento e que se acha comprometida em Andreia.

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O documento Caderno Curricular Temático: Ações Educacionais em Movimento – Vol. II (As relações étnico- -raciais afro-brasileiras) promove uma discussão sobre a necessidade de uma prática pedagógica ressignificada, que se possa caracterizar como antirracista e pluricultural. Nesse intuito, considera uma distinção entre os termos “etnia” e “raça”. Identifique a alternativa correta sobre eles

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 Na Resolução CNE/CEB no 4/2010 (Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica), o Título VII trata dos elementos constitutivos para a sua operacionalização. Dentre esses elementos está o projeto político-pedagógico, sobre o qual é correto afirmar que

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No documento Diretrizes Curriculares da Educação Básica para a Educação Infantil: um processo contínuo de reflexão e ação, menciona-se nominalmente um tipo de trabalho pedagógico que valoriza, na conduta do professor, a abertura ao imprevisto, a postura investigativa e a documentação do processo experienciado junto às crianças. Trata-se do trabalho

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 A solidão docente é representada pela metáfora da escola como uma “caixa de ovos”, pois cada professor se vê isolado pelas paredes de sua sala, ainda que esteja em um mesmo prédio que os colegas. Os movimentos de partilha entre professores podem acontecer de formas variadas e são importantes modos de se romper com essa lógica de organização do trabalho pedagógico. Tendo como referência esse contexto, assinale a alternativa correta quanto ao propósito dos “Quadros de Suporte Pedagógico para as Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental”, tanto para os Anos Iniciais quanto para os Finais (Campinas, 2013).

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Durante uma reunião de trabalho, uma equipe pedagógica discutiu implicações para a ação educacional de se assumir o educador como sujeito da experiência, tal como apresenta Larrosa. O autor afirma que, nesse contexto, o profissional da educação é “aquele que sabe enfrentar o outro enquanto que outro” (Campinas, 2014, Vol. I, p. 23), destacando a singularidade e a alteridade. A equipe precisa chegar a uma conclusão acertada, que derive da ideia apresentada anteriormente para embasar seus planejamentos e ações. Assinale a alternativa que expressa essa conclusão, compatível com o documento Caderno Curricular Temático (Vol. I).

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Todos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e filha sentavam-se na soleira da porta. E deitada a cabeça da filha no colo da mãe, começava esta a catar-lhe piolhos. Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se vissem, patrulhavam a cabeleira separando mechas, esquadrinhando entre os fios, expondo o claro azulado do couro. E na alternância ritmada de suas pontas macias, procuravam os minúsculos inimigos, levemente arranhando com as unhas, em carícia de cafuné. Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe, vertidos os cabelos sobre a testa, a filha deixava-se ficar enlanguescida, enquanto a massagem tamborilada daqueles dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e o calor crescente da manhã lhe entrefechava os olhos. Foi talvez devido à modorra que a invadia, entrega prazerosa de quem se submete a outros dedos, que nada percebeu naquela manhã – a não ser, talvez, uma leve pontada – quando a mãe, devassando gulosa o secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre polegar e indicador e, puxando-o ao longo do fio negro e lustroso em gesto de vitória, extraiu-lhe o primeiro pensamento.

COLASANTI, Marina. E tinha a cabeça cheia deles. Contos de amor rasgado. 1986. Disponível em .

A frase reescrita com base nas ideias do quinto parágrafo está corretamente pontuada em:

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Todos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e filha sentavam-se na soleira da porta. E deitada a cabeça da filha no colo da mãe, começava esta a catar-lhe piolhos. Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se vissem, patrulhavam a cabeleira separando mechas, esquadrinhando entre os fios, expondo o claro azulado do couro. E na alternância ritmada de suas pontas macias, procuravam os minúsculos inimigos, levemente arranhando com as unhas, em carícia de cafuné. Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe, vertidos os cabelos sobre a testa, a filha deixava-se ficar enlanguescida, enquanto a massagem tamborilada daqueles dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e o calor crescente da manhã lhe entrefechava os olhos. Foi talvez devido à modorra que a invadia, entrega prazerosa de quem se submete a outros dedos, que nada percebeu naquela manhã – a não ser, talvez, uma leve pontada – quando a mãe, devassando gulosa o secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre polegar e indicador e, puxando-o ao longo do fio negro e lustroso em gesto de vitória, extraiu-lhe o primeiro pensamento.

COLASANTI, Marina. E tinha a cabeça cheia deles. Contos de amor rasgado. 1986. Disponível em .

O sinal indicativo de crase está corretamente empregado em:

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Todos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e filha sentavam-se na soleira da porta. E deitada a cabeça da filha no colo da mãe, começava esta a catar-lhe piolhos. Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se vissem, patrulhavam a cabeleira separando mechas, esquadrinhando entre os fios, expondo o claro azulado do couro. E na alternância ritmada de suas pontas macias, procuravam os minúsculos inimigos, levemente arranhando com as unhas, em carícia de cafuné. Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe, vertidos os cabelos sobre a testa, a filha deixava-se ficar enlanguescida, enquanto a massagem tamborilada daqueles dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e o calor crescente da manhã lhe entrefechava os olhos. Foi talvez devido à modorra que a invadia, entrega prazerosa de quem se submete a outros dedos, que nada percebeu naquela manhã – a não ser, talvez, uma leve pontada – quando a mãe, devassando gulosa o secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre polegar e indicador e, puxando-o ao longo do fio negro e lustroso em gesto de vitória, extraiu-lhe o primeiro pensamento.

COLASANTI, Marina. E tinha a cabeça cheia deles. Contos de amor rasgado. 1986. Disponível em .

Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância verbal e nominal.

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COLASANTI, Marina. E tinha a cabeça cheia deles. Contos de amor rasgado. 1986. Disponível em .

Considere as frases elaboradas a partir do texto.

•  Nos edifícios de luxo, a tarefa de descartar o lixo são os funcionários que __________.

•  Quanto aos impostos e multas, o governo rigidamente ___________ aos cidadãos.

•  Yu queria se desfazer de jornais velhos, e foi o vizinho Lin quem ________ ajuda.

Seguindo a norma-padrão de emprego e colocação dos pronomes, as lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente, por: 

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Todos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e filha sentavam-se na soleira da porta. E deitada a cabeça da filha no colo da mãe, começava esta a catar-lhe piolhos. Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se vissem, patrulhavam a cabeleira separando mechas, esquadrinhando entre os fios, expondo o claro azulado do couro. E na alternância ritmada de suas pontas macias, procuravam os minúsculos inimigos, levemente arranhando com as unhas, em carícia de cafuné. Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe, vertidos os cabelos sobre a testa, a filha deixava-se ficar enlanguescida, enquanto a massagem tamborilada daqueles dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e o calor crescente da manhã lhe entrefechava os olhos. Foi talvez devido à modorra que a invadia, entrega prazerosa de quem se submete a outros dedos, que nada percebeu naquela manhã – a não ser, talvez, uma leve pontada – quando a mãe, devassando gulosa o secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre polegar e indicador e, puxando-o ao longo do fio negro e lustroso em gesto de vitória, extraiu-lhe o primeiro pensamento.

COLASANTI, Marina. E tinha a cabeça cheia deles. Contos de amor rasgado. 1986. Disponível em .

De acordo com a norma-padrão de regência verbal e nominal e com o sentido do texto, os trechos destacados em – Estão com os ouvidos abertos para os primeiros compassos… – e – … os moradores foram obrigados a comprar sacos de lixo azuis… – podem ser substituídos, respectivamente, por:

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