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Encontradas 2 questões
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Viver é compartilhar significados, é expressar os sentidos das coisas de tal forma que eles sejam compreendidos pelos outros. Por isso a insistência para que os saberes aprendidos na escola sejam significativos: porque são imprescindíveis para viver. Daí a necessidade da abertura do currículo para a experiência e o conhecimento existentes fora do contexto escolar.
Na vida estamos permanentemente formando sentidos e compartilhando-os com familiares, amigos, professores, colegas de escola e de trabalho. Também realizamos essa troca com escritores, compositores, cineastas, artistas em geral e até com os inúmeros interlocutores anônimos dos meios de comunicação e do ciberespaço. Mas o que diferencia a situação de aprendizagem escolar das demais? Por que, apesar das muitas oportunidades de elaborar conhecimentos significativos, nenhuma substitui a que acontece na sala de aula?
Primeiro, porque na escola a construção dos saberes é deliberada. Tanto o professor quanto o projeto pedagógico têm uma intenção: existem objetivos a serem alcançados e por isso ocorre uma seleção do que vai ser ensinado e aprendido. Essa aprendizagem é também sistemática, pois se dá de acordo com a organização e a seqüência da metodologia de ensino escolhida pelo docente.
Segundo, porque a escola não pode se limitar a conectar o conhecimento com a experiência imediata e espontânea. Pode parecer contraditório, mas não é: cabe à educação, ao mesmo tempo ou no devido tempo, libertar o aluno do cotidiano, fazendo-o superar a experiência imediata para poder alcançar conhecimentos mais amplos e perenes – aqueles sistematizados nas ciências, nas artes e nas linguagens. São esses que, mobilizados, favorecem o enfrentamento das muitas tarefas da vida, do trabalho produtivo e o exercício da cidadania qualificada.
O terceiro ponto é que na escola incidem de forma direta e intencional os valores éticos, políticos e estéticos da comunidade, visando a mudança e a melhoria da sociedade em geral. Resumindo: conhecimentos significativos têm como ponto de partida a experiência do aluno, generalizam-se para permitir a apropriação e a compreensão mais ampla do mundo físico e social e aplicam-se de forma pertinente e duradoura às muitas práticas que configuram a vida humana. [...]
(Guiomar Namo de Mello, Nova escola, novembro de 2004, p. 18)

– aqueles sistematizados nas ciências, nas artes e nas linguagens. (4º parágrafo)

O segmento separado pelo travessão traz

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O tamanho do abismo da educação

O recente Panorama da Educação da OCDE (um fórum de democracias desenvolvidas), particularmente focado no ensino superior, expõe com desconfortável clareza o abismo que separa o Brasil não só dos países ricos, mas de economias emergentes mais bem-sucedidas. Não basta investir uma fatia elevada do PIB em educação – 4,3%, acima da média da OCDE de 3,6% – se o sistema distribui mal os recursos e gasta pior ainda. A deficiência começa na distorção perversa nos níveis de ensino. Na educação básica – a principal alavanca de mobilidade social –, o País investe só um terço da média internacional. Ao mesmo tempo, mantém universidades públicas de alto custo – comparáveis em despesa por aluno à média da OCDE –, mas que formam relativamente poucos diplomados. É uma transferência de renda às avessas: a massa de pobres, presos a escolas precárias, financia a gratuidade acadêmica para poucos jovens das classes altas.
O retrato do ensino superior é desanimador. Apenas 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos possuem diploma, ante 49% na média da OCDE. E metade dos que ingressam na graduação não conclui o curso. Muitos diplomas concentram-se em áreas de baixo impacto inovador, e apenas 16% em ciência, tecnologia, engenharia e matemática – indispensáveis para competir na economia digital –, em contraste com a média de 23% dos países avançados.
Cerca de 24% dos brasileiros de 18 a 24 anos não estuda nem trabalha, ante 14% na média da OCDE. É desperdício de capital humano e uma bomba-relógio social. Ao mesmo tempo, a desigualdade de renda entre diplomados e não diplomados é desproporcional: no Brasil, os primeiros ganham 148% a mais do que os segundos; na OCDE, a diferença é só de 54%. O diploma aqui é ao mesmo tempo escasso e sobrevalorizado – refletindo a baixa qualificação geral da força de trabalho.
O caminho da correção é claro. Primeiro, reequilibrar prioridades: fortalecer a educação básica, hoje subfinanciada, e a técnica, estigmatizada, sem abandonar a excelência necessária no ensino superior. O ensino técnico poderia reduzir a evasão e o contingente dos “nem-nem”, aproximando escola e trabalho, dando ao País a mão de obra que a indústria da inovação demanda e impulsionando a mobilidade social. Mas só 13% dos estudantes do ensino médio estão nessa modalidade de formação, ante 40% na OCDE. No mesmo sentido, é preciso diversificar o modelo acadêmico: universidades voltadas à pesquisa de excelência devem coexistir com instituições voltadas à formação regional, técnica e profissionalizante.
O Brasil conquistou avanços quantitativos – mais vagas, mais matrículas, mais diplomas. O desafio não é apenas expandir o acesso, e sim transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva. O futuro não se constrói com títulos de papel, mas com instituições capazes de formar capital humano, reduzir desigualdades e inovar. Sem isso, o Brasil continuará preso ao paradoxo de investir muito e colher pouco – um país de diplomas caros, mas de conhecimento barato.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 22.09.2025. Adaptado)

Nas passagens “O recente Panorama da Educação da OCDE (um fórum de democracias desenvolvidas)” (1º parágrafo) e “Na educação básica – a principal alavanca de mobilidade social –, o País investe…” (2º parágrafo), os parênteses e os travessões empregados têm

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