A frase – “A gente precisa chamar o
melhor das pessoas” – é um válido lembrete de
como podemos enxergar mais pelo filtro da
compaixão. Quando olhamos para uma pessoa, o
primeiro tipo de pensamento que vem à mente é
de julgamento ou de curiosidade?
É que, às vezes, nem dá tempo do outro
se apresentar e já recebe nossa etiqueta invisível
de “bom” ou “ruim”, de “aceito conviver” ou
“melhor evitar”.
Não simpatizamos com todo mundo, mas
cultivar uma noção positiva sobre o outro é
educar-se pela régua da generosidade, o que
resulta em saúde e bem-estar para nós mesmos.
Já reparou como pessoas indispostas têm o hábito
de criticar com rapidez, constância e facilidade?
É um hábito e, como tal, também é possível
revertê-lo com a devida prática.
E se, para cada sentença negativa sobre
alguém, encontrarmos um aspecto a ser
elogiado? Não precisa ser sempre em voz alta. O
discurso interno bem direcionado é capaz de
reprogramar nosso cérebro e, em sequência,
nossos sentimentos e atitudes. (...)
Assim tem procedido uma amiga
brasileira que recém ingressou no curso de
História, em uma universidade lisboeta. Ela me
relatou que, se antes, respondia a todo e qualquer
comentário de forma impulsiva, agora tem
elaborado melhor as falas e discernido quando
vale a pena ser mais incisiva. Aprendizado que
veio após alguns anos de cansaço e motivado
pelas novas interações estudantis.
Há situações em que é preciso ser firme e
defender seus direitos. Entretanto, minha amiga
vem buscando ponderar o que ouve e o que
replica, escolhendo com sabedoria suas pelejas.
Quando percebe que não é o momento de insistir,
resguarda-se para um futuro colóquio. Com isso,
descobriu que ganhou paz de espírito, diminuiu a
ansiedade e aumentou a empatia.
Quem sabe se, de tanto chamarmos o
melhor dos outros, como sugeriu meu colega
escritor, atenda já na primeira tentativa o melhor
de nós também.
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