Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na
certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra
superficial sem amparo na realidade, sabe que a instituição
escolar, se boa e bem estruturada, é a garantia mínima de
acesso a chances reais para cada indivíduo e, em consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação intelectual
e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma nação desenvolvida, decente e sustentável. Sendo
assim, é possível imaginar o que significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a escola
como um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia
silenciosa e inconcebível.
Pois sabe-se, agora, graças a uma pesquisa realizada
pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos
alunos do 8º e do 9º ano do Ensino Fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro na escola. Apenas
45% desses alunos afirmam se sentir acolhidos pelos adultos
dentro da escola, 56% consideram que os profissionais da escola respeitam e valorizam os alunos.
Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas pelos
números: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto sensu,
visão marcada por contextos de violência, bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte
e questões de saúde; segundo, o tipo de escola pública, por
vezes desinteressante, que estamos oferecendo aos nossos
adolescentes. São dois longevos e mal resolvidos problemas
da educação básica. No primeiro caso, registrem-se os relatos
negativos apontados num estudo com base em dados do Atlas
da Violência 2024. No segundo, há a flagrante dificuldade de
conter o abandono escolar entre os adolescentes, motivado
também pela falta de interesse.
O Brasil ainda está a anos-luz do que seria o ideal para
ofertar uma escola atraente para os alunos. Convém sublinhar que a necessidade de adequar melhor a escola aos
novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa
fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e
tornar os gastos no setor mais produtivos, mediante aprimoramento da formação de professores.
A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência,
inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento do papel das disciplinas tradicionais
para ajudar-lhes no desenvolvimento para a vida. Mas,
antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a
cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que
cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da
infância para a adolescência.
(Estadão, “Um país de escolas inseguras não tem futuro”. 15.09.2025.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/. Adaptado)
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