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Ao considerar inconstitucional o assédio judicial contra jornalistas e veículos de comunicação, o Supremo Tribunal Federal (STF) contribuiu para preservar a liberdade de imprensa, pilar fundamental de qualquer democracia. Esse assédio acontece quando contrariados por reportagens impetram ações judiciais em série em diferentes locais contra jornalistas ou empresas, com o objetivo de constrangê-los, onerá-los ou impedi-los de exercer a profissão.
Os ministros decidiram que, quando ficar caracterizado o assédio judicial, o alvo das ações poderá solicitar à Justiça a reunião de todas na cidade onde mora. A pulverização por diferentes comarcas, geralmente orquestrada, é estratégia infelizmente comum para intimidar jornalistas. Eles são obrigados a se deslocar para acompanhar audiências, muitas vezes em cidades distantes. Se não comparecem, as ações podem ser julgadas à revelia.
Os que tentam cercear a imprensa por meio dessa prática se aproveitam de um instrumento democrático legítimo, os Juizados Especiais Cíveis (JECs), que surgiram para facilitar o acesso do cidadão à Justiça. O problema não está nos JECs, mas no abuso deles para perseguir o jornalismo.
O ministro Edson Fachin afirmou que a decisão trata “de evitar os efeitos nefastos da restauração indireta de um procedimento de censura e autocensura”. A ministra Cármen Lúcia ressaltou o papel da liberdade de informação na democracia: “Assédio judicial contra jornalista tem sim um diferencial, porque a imprensa tem um diferencial no seu desempenho. A democracia é caudatária de uma imprensa livre e independente”.
Essa decisão do STF é importante para assegurar a liberdade de imprensa. Profissionais e veículos de comunicação acossados por uma infinidade de ações — cujo único objetivo é retaliar reportagens investigativas e seus autores — poderiam se sentir intimidados na hora de apurar e noticiar fatos de interesse público que desagradem a certos grupos. Ao estabelecer que jornalistas só têm responsabilidade civil em “caso inequívoco de dolo ou culpa grave”, a Corte também desestimula ações de reparação destinadas a restringir o trabalho do jornalismo profissional. Uma imprensa sem mordaças é condição inegociável de toda democracia.
(O Globo. Editorial: STF reafirma liberdade de imprensa ao coibir assédio judicial a jornalistas. 25/05/2024. Adaptado)

Com base nas informações do texto, é correto afirmar que a decisão do STF

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Quando o cego, em reunião na casa dum amigo, disse que gostaria de viver numa cidade cuja temperatura oscilasse entre quinze e vinte graus e cujo céu todos os dias fosse azul, ninguém sentiu vontade de sorrir. Nem cheguei a sentir um alegre arrepio de tristeza. Ele falou com a voz clara e cheia de sentido. Nós todos entendemos, entendemos de repente um espaço emocional extraordinário, que desconhecíamos: o azul do céu não é uma cor, mas uma qualidade do mundo, uma luminosidade de todos os sentidos, uma fragrância, um ar mais delicado, um concerto de sons, uma transparência do universo.
Nos dias cinzentos, o mundo é opaco e áspero; as pessoas falam com um timbre de voz mais rouco e inquieto; os pássaros não cantam; a brisa é mais úmida; o ar, mais pesado. O cego desejava que todos os dias fossem azuis; precisava dos dias azuis mais do que nós, os distraídos na multiplicidade do mundo, dispersados em tantas sensações supérfluas. Um poeta disse uma vez que Deus é azul. Não creio. Mas creio nos poetas. Creio nos cegos. Creio no azul.
(Paulo Mendes Campos. Palavras pessoais. 05.11.1960. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/. Acesso em 24.06.2024)

Na crônica, é possível identificar uma intenção expressiva do autor por meio de recursos como

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Qual o impacto da presença de mulheres na ciência e da discussão sobre gênero nos resultados de pesquisas científicas? Um artigo publicado mostra, por exemplo, que considerar a variável sexo na compreensão de dinâmicas genéticas e hormonais pode trazer inovação à imunoterapia contra o câncer. Em 2017, estudo divulgado revelou que a descoberta de diferenças sexuais em padrões moleculares permite aprimorar o desenvolvimento de remédios para alívio da dor e depressão. Em movimento que teve início no final da década de 1980 e ganhou força a partir dos anos 2000, cientistas têm incorporado a análise de sexo e gênero em seus projetos. A medida tem dado novos rumos a estudos em múltiplas áreas do conhecimento, como biomedicina, demografia, inteligência artificial e filosofia.
Em artigo publicado em 2019, autores discutem estudos de caso em áreas como mudanças climáticas, engenharia e robótica. Um desses estudos diz respeito à utilização do tradutor automático do Google. Quando traduz assuntos relativos a ciência, tecnologia, engenharia e matemática, a ferramenta costuma utilizar padrões masculinos. Algo parecido, mas com sinal inverso, ocorre com algoritmos que produzem, de forma automática, legendas de imagens. Em fotos de homens na cozinha, por exemplo, eles costumam ser identificados como mulheres. A primeira reunião entre especialistas do Google e pesquisadores de Stanford para discutir a questão das traduções enviesadas ocorreu em 2012. Embora tenha assumido o compromisso de resolver o problema naquele mesmo ano, mudanças parciais ocorreram apenas em 2019. “É mais difícil corrigir algo quando a plataforma básica está definida. Daí a importância de se considerar o viés de sexo e gênero desde o início de uma pesquisa.” Para Londa Schiebinger, professora de história da ciência na Universidade Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, o equívoco no algoritmo do tradutor do Google pode estar relacionado, entre outros aspectos, ao fato de que nas faculdades de engenharia e computação não são ministradas disciplinas que ensinem os estudantes a considerar análise de gênero em suas investigações.
(Christina Queiroz. O gênero da ciência. https://revistapesquisa.fapesp.br, março de 2020. Adaptado)

Com relação ao trecho – Quando traduz assuntos relativos a ciência, tecnologia, engenharia e matemática, a ferramenta costuma utilizar padrões masculinos. –, o vocábulo que melhor define tal comportamento da ferramenta encontra-se destacado em:

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Qual o impacto da presença de mulheres na ciência e da discussão sobre gênero nos resultados de pesquisas científicas? Um artigo publicado mostra, por exemplo, que considerar a variável sexo na compreensão de dinâmicas genéticas e hormonais pode trazer inovação à imunoterapia contra o câncer. Em 2017, estudo divulgado revelou que a descoberta de diferenças sexuais em padrões moleculares permite aprimorar o desenvolvimento de remédios para alívio da dor e depressão. Em movimento que teve início no final da década de 1980 e ganhou força a partir dos anos 2000, cientistas têm incorporado a análise de sexo e gênero em seus projetos. A medida tem dado novos rumos a estudos em múltiplas áreas do conhecimento, como biomedicina, demografia, inteligência artificial e filosofia.
Em artigo publicado em 2019, autores discutem estudos de caso em áreas como mudanças climáticas, engenharia e robótica. Um desses estudos diz respeito à utilização do tradutor automático do Google. Quando traduz assuntos relativos a ciência, tecnologia, engenharia e matemática, a ferramenta costuma utilizar padrões masculinos. Algo parecido, mas com sinal inverso, ocorre com algoritmos que produzem, de forma automática, legendas de imagens. Em fotos de homens na cozinha, por exemplo, eles costumam ser identificados como mulheres. A primeira reunião entre especialistas do Google e pesquisadores de Stanford para discutir a questão das traduções enviesadas ocorreu em 2012. Embora tenha assumido o compromisso de resolver o problema naquele mesmo ano, mudanças parciais ocorreram apenas em 2019. “É mais difícil corrigir algo quando a plataforma básica está definida. Daí a importância de se considerar o viés de sexo e gênero desde o início de uma pesquisa.” Para Londa Schiebinger, professora de história da ciência na Universidade Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, o equívoco no algoritmo do tradutor do Google pode estar relacionado, entre outros aspectos, ao fato de que nas faculdades de engenharia e computação não são ministradas disciplinas que ensinem os estudantes a considerar análise de gênero em suas investigações.
(Christina Queiroz. O gênero da ciência. https://revistapesquisa.fapesp.br, março de 2020. Adaptado)

A partir da leitura do texto, pode-se concluir que

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A partir da leitura da tira, é correto afirmar que

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Entre as dez metas estabelecidas para a educação que constam dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030, ratificados pelos 193 países-membros da ONU, a mais básica, juntamente à escolarização universal, é que todos tenham conhecimentos primários em leitura, escrita e matemática. Embora 260 milhões de crianças no mundo ainda não frequentem escolas, o acesso tem crescido com certa velocidade. A instrução, porém, ainda é terrivelmente falha. Segundo o Banco Mundial, 53% de todas as crianças em países de média e baixa renda sofrem de “pobreza de aprendizado” (learning poverty), um critério que implica a incapacidade de ler e compreender um texto simples aos dez anos de idade – ou seja, uma capacitação um pouco acima do analfabetismo absoluto, mas um pouco abaixo do analfabetismo funcional, que pressupõe deficiências graves de escrita e cálculo.
(https://opiniao.estadao.com.br. 04.11.2019)

As informações do texto permitem afirmar que a “pobreza de aprendizado” resulta de

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Leia a tira. 

Na tira, existe uma crítica a quem

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Esforço integral

Há consenso de que manter alunos por mais horas no colégio traz ganhos positivos. O tempo extra pode ser empregado para projetos interdisciplinares, aulas de reforço ou atendimento individual daqueles estudantes que se atrasam.
O Plano Nacional de Educação prevê que pelo menos 25% dos estudantes tenham carga de sete horas diárias até 2024. No estado mais desenvolvido da Federação, a proporção se encontra em 6%.
Preocupante é o efeito multiplicador da desigualdade em alguns locais. Se a introdução do sistema implica acabar com o período noturno, estudantes que precisam trabalhar se veem forçados a procurar outro estabelecimento, que pode ficar longe da moradia ou do emprego, favorecendo a evasão.
Há que aprender com os percalços da experiência e, em particular, atentar para a implementação da medida onde ela foi bem-sucedida. Este seria o caso da rede estadual de ensino médio de Pernambuco, que alcançou a terceira posição no ranking de desempenho de alunos em provas padronizadas.
O estado conta com 57% de matrículas em escolas de período integral no ensino médio. A introdução em larga escala, segundo a Secretaria de Educação, mostrou-se decisiva para evitar o surgimento de ilhas de excelência e privilégio.
A adoção se fez de maneira paulatina, começando pela primeira série de uma nova turma. Isso evitou que estudantes empregados da segunda e da terceira série precisassem buscar outra escola.
Cabe ao governo paulista corrigir o rumo do período integral. A resistência não se afigura insuperável, e o benefício esperado justifica o esforço adicional para prosseguir na direção correta.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 31.10.2016. Adaptado)

Na informação veiculada no quarto parágrafo – Este seria o caso da rede estadual de ensino médio de Pernambuco… –, o emprego da forma verbal destacada denota

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Esforço integral

Há consenso de que manter alunos por mais horas no colégio traz ganhos positivos. O tempo extra pode ser empregado para projetos interdisciplinares, aulas de reforço ou atendimento individual daqueles estudantes que se atrasam.
O Plano Nacional de Educação prevê que pelo menos 25% dos estudantes tenham carga de sete horas diárias até 2024. No estado mais desenvolvido da Federação, a proporção se encontra em 6%.
Preocupante é o efeito multiplicador da desigualdade em alguns locais. Se a introdução do sistema implica acabar com o período noturno, estudantes que precisam trabalhar se veem forçados a procurar outro estabelecimento, que pode ficar longe da moradia ou do emprego, favorecendo a evasão.
Há que aprender com os percalços da experiência e, em particular, atentar para a implementação da medida onde ela foi bem-sucedida. Este seria o caso da rede estadual de ensino médio de Pernambuco, que alcançou a terceira posição no ranking de desempenho de alunos em provas padronizadas.
O estado conta com 57% de matrículas em escolas de período integral no ensino médio. A introdução em larga escala, segundo a Secretaria de Educação, mostrou-se decisiva para evitar o surgimento de ilhas de excelência e privilégio.
A adoção se fez de maneira paulatina, começando pela primeira série de uma nova turma. Isso evitou que estudantes empregados da segunda e da terceira série precisassem buscar outra escola.
Cabe ao governo paulista corrigir o rumo do período integral. A resistência não se afigura insuperável, e o benefício esperado justifica o esforço adicional para prosseguir na direção correta.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 31.10.2016. Adaptado)

Considerando o texto como um todo, as expressões destacadas no trecho do último parágrafo – … e o benefício esperado justifica o esforço adicional para prosseguir na direção correta. –, referem-se, correta e respectivamente, às seguintes ideias:

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Esforço integral

Há consenso de que manter alunos por mais horas no colégio traz ganhos positivos. O tempo extra pode ser empregado para projetos interdisciplinares, aulas de reforço ou atendimento individual daqueles estudantes que se atrasam.
O Plano Nacional de Educação prevê que pelo menos 25% dos estudantes tenham carga de sete horas diárias até 2024. No estado mais desenvolvido da Federação, a proporção se encontra em 6%.
Preocupante é o efeito multiplicador da desigualdade em alguns locais. Se a introdução do sistema implica acabar com o período noturno, estudantes que precisam trabalhar se veem forçados a procurar outro estabelecimento, que pode ficar longe da moradia ou do emprego, favorecendo a evasão.
Há que aprender com os percalços da experiência e, em particular, atentar para a implementação da medida onde ela foi bem-sucedida. Este seria o caso da rede estadual de ensino médio de Pernambuco, que alcançou a terceira posição no ranking de desempenho de alunos em provas padronizadas.
O estado conta com 57% de matrículas em escolas de período integral no ensino médio. A introdução em larga escala, segundo a Secretaria de Educação, mostrou-se decisiva para evitar o surgimento de ilhas de excelência e privilégio.
A adoção se fez de maneira paulatina, começando pela primeira série de uma nova turma. Isso evitou que estudantes empregados da segunda e da terceira série precisassem buscar outra escola.
Cabe ao governo paulista corrigir o rumo do período integral. A resistência não se afigura insuperável, e o benefício esperado justifica o esforço adicional para prosseguir na direção correta.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 31.10.2016. Adaptado)

De acordo com o editorial, a educação em período integral

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Uma tragédia de múltiplas faces

A taxa de analfabetismo entre brasileiros com mais de 15 anos caiu abaixo de 5% pela primeira vez na série histórica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o indicador ficou em 4,9%. A boa notícia acaba aí.
Segundo dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2025, nada menos do que 8,4 milhões de pessoas em todo o país ainda não sabiam ler e escrever. Uma verdadeira tragédia. Mais da metade dessas pessoas, 4,8 milhões, está concentrada no Nordeste.
No Brasil, o analfabetismo é também mais frequente entre os cidadãos mais velhos e entre pretos e pardos. Na faixa etária acima dos 60 anos, quase 5 milhões de pessoas não sabiam ler ou escrever um simples bilhete.
Cerca de 2,8% da população branca com 15 anos ou mais era analfabeta; entre pretos e pardos na mesma faixa etária, o porcentual foi de 6,5%. Entre os maiores de 60 anos, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chegou a 20,6% no ano passado – quase o triplo da verificada entre os brancos (7,3%). Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação.
Um estudo divulgado no ano passado pela organização Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social revelou que o analfabetismo funcional entre a população de 15 a 64 anos ficou em 29% em 2024, o mesmo patamar registrado em 2018. O levantamento também apontou que apenas um em cada quatro brasileiros nessa faixa etária – o equivalente a 23% da população – tinha nível elevado de habilidade digital.
Numa era em que dominar aplicativos de celular é tão essencial quanto saber o abecedário, a maioria dos brasileiros tem dificuldade para executar tarefas básicas por meios digitais, como inscrever-se num evento pela internet ou localizar um filme numa plataforma de streaming. O país tem diante de si a tarefa urgente de repensar como educa seus cidadãos, dos pequenos aos universitários, sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento.
(Editorial, 28.06.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/. Adaptado)

No que diz respeito ao domínio de habilidades digitais, o editorial permite concluir corretamente que a maioria da população

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Uma tragédia de múltiplas faces

A taxa de analfabetismo entre brasileiros com mais de 15 anos caiu abaixo de 5% pela primeira vez na série histórica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o indicador ficou em 4,9%. A boa notícia acaba aí.
Segundo dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2025, nada menos do que 8,4 milhões de pessoas em todo o país ainda não sabiam ler e escrever. Uma verdadeira tragédia. Mais da metade dessas pessoas, 4,8 milhões, está concentrada no Nordeste.
No Brasil, o analfabetismo é também mais frequente entre os cidadãos mais velhos e entre pretos e pardos. Na faixa etária acima dos 60 anos, quase 5 milhões de pessoas não sabiam ler ou escrever um simples bilhete.
Cerca de 2,8% da população branca com 15 anos ou mais era analfabeta; entre pretos e pardos na mesma faixa etária, o porcentual foi de 6,5%. Entre os maiores de 60 anos, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chegou a 20,6% no ano passado – quase o triplo da verificada entre os brancos (7,3%). Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação.
Um estudo divulgado no ano passado pela organização Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social revelou que o analfabetismo funcional entre a população de 15 a 64 anos ficou em 29% em 2024, o mesmo patamar registrado em 2018. O levantamento também apontou que apenas um em cada quatro brasileiros nessa faixa etária – o equivalente a 23% da população – tinha nível elevado de habilidade digital.
Numa era em que dominar aplicativos de celular é tão essencial quanto saber o abecedário, a maioria dos brasileiros tem dificuldade para executar tarefas básicas por meios digitais, como inscrever-se num evento pela internet ou localizar um filme numa plataforma de streaming. O país tem diante de si a tarefa urgente de repensar como educa seus cidadãos, dos pequenos aos universitários, sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento.
(Editorial, 28.06.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/. Adaptado)

A boa notícia referida ao final do 1º parágrafo diz respeito ao fato de

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A taxa de analfabetismo entre brasileiros com mais de 15 anos caiu abaixo de 5% pela primeira vez na série histórica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o indicador ficou em 4,9%. A boa notícia acaba aí.
Segundo dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2025, nada menos do que 8,4 milhões de pessoas em todo o país ainda não sabiam ler e escrever. Uma verdadeira tragédia. Mais da metade dessas pessoas, 4,8 milhões, está concentrada no Nordeste.
No Brasil, o analfabetismo é também mais frequente entre os cidadãos mais velhos e entre pretos e pardos. Na faixa etária acima dos 60 anos, quase 5 milhões de pessoas não sabiam ler ou escrever um simples bilhete.
Cerca de 2,8% da população branca com 15 anos ou mais era analfabeta; entre pretos e pardos na mesma faixa etária, o porcentual foi de 6,5%. Entre os maiores de 60 anos, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chegou a 20,6% no ano passado – quase o triplo da verificada entre os brancos (7,3%). Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação.
Um estudo divulgado no ano passado pela organização Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social revelou que o analfabetismo funcional entre a população de 15 a 64 anos ficou em 29% em 2024, o mesmo patamar registrado em 2018. O levantamento também apontou que apenas um em cada quatro brasileiros nessa faixa etária – o equivalente a 23% da população – tinha nível elevado de habilidade digital.
Numa era em que dominar aplicativos de celular é tão essencial quanto saber o abecedário, a maioria dos brasileiros tem dificuldade para executar tarefas básicas por meios digitais, como inscrever-se num evento pela internet ou localizar um filme numa plataforma de streaming. O país tem diante de si a tarefa urgente de repensar como educa seus cidadãos, dos pequenos aos universitários, sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento.
(Editorial, 28.06.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/. Adaptado)

O editorial analisa a situação do analfabetismo no Brasil, destacando que o país

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O efeito de humor da tira decorre do fato de Haroldo

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No texto, a trajetória de Iza Souza ultrapassa a dimensão individual e ganha um significado mais amplo quando se enfatiza

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Anunciou-se que São Paulo ia ter bondes elétricos. Os tímidos veículos puxados a burros, que cortavam a morna da cidade provinciana, iam desaparecer para sempre. Não mais veríamos, na descida da Ladeira de Santo Antônio, frente à nossa casa, o bonde descer sozinho equilibrado pelo breque do condutor. E o par de burros seguindo depois. Uma febre de curiosidade tomou as famílias, as casas, os grupos. Como seriam os novos bondes que andavam magicamente, sem impulso exterior?
O projeto aprovado, começaram logo os trabalhos da execução. E anunciaram que numa manhã apareceria o primeiro bonde elétrico. Indicaram-me a atual Avenida São João como o local por onde transitaria o veículo espantoso. Um amigo de casa informava:
— O bonde pode andar até a velocidade de nove pontos. Mas, aí é uma disparada dos diabos. Ninguém aguenta. É capaz de saltar dos trilhos! E matar todo o mundo.
A cidade tomou um aspecto de revolução. Todos se locomoviam, procuravam ver. E os mais afoitos queriam ir até a temeridade de entrar no bonde, andar de bonde elétrico! Naquele dia de estreia ninguém pagava passagem, era de graça. A afluência tornou-se, portanto, enorme. A tarde caía. Todos reclamavam. Por que não vem?
Um murmúrio tomou conta dos ajuntamentos. Lá vinha o bicho! O veículo amarelo e grande ocupou os trilhos no centro da via pública. Um homem de farda azul e boné o conduzia, tendo ao lado um fiscal. Uma alavanca de ferro prendia-o ao fio esticado, no alto. Uma campainha forte tilintava abrindo as alas convergentes do povo. Desceu devagar. Gritavam:
— Cuidado! Vem a nove pontos! Um italiano dialetal exclamava para o filhinho que puxava pelo braço:
— Lá vem “os bonde”! Toma cuidado! O carro lerdo aproximou-se, fez a curva. Estava apinhado de pessoas, sentadas, de pé.
Uma mulher exclamou:
— Ota gente corajosa! “Andá” nessa geringonça! Passou. Parou adiante, perto do local onde se abre hoje a Avenida Anhangabaú. Houve um tumulto. Acidente? Não andava mais, gente acorria de todos os lados. Muitos saltavam.
— Rebentaram a trave do lado! Não é nada!
Tiraram a trave quebrada. O veículo encheu-se de novo, continuou mais devagar ainda, precavido. E ficou pelo ar, ante o povo boquiaberto que rumava para as casas, a atmosfera dos grandes acontecimentos. Nas ruas, os acendedores de lampião passavam com suas varas ao ombro acendendo os acetilenos da iluminação pública.
(Oswald de Andrade. Um homem sem profissão.
São Paulo: Companhia das Letras, 2019. Adaptado)

No texto, a atmosfera de expectativa e deslumbramento em torno da chegada do bonde elétrico é construída principalmente pela

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A partir da leitura da tira, é correto afirmar que seu efeito de humor decorre do fato de que a personagem

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O excerto permite concluir que o narrador

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História de um olhar
O mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. Diminutos, invisíveis. O mundo é salvo por um olhar. Que envolve e afaga. Abarca. Resgata. Reconhece. Salva.
Inclui.
Esta é a história do olhar de uma professora chamada Eliane Vanti e de um andarilho chamado Israel Pires.
Um olhar que nasceu na Vila Kephas. Nesta vila, cheia de presságios e de misérias, vagava um rapaz de 29 anos com o nome de Israel. Imundo, meio abilolado, malcheiroso, Israel vivia atirado num canto ou outro da vila. Desregulado das ideias, segundo o senso comum. Escorraçado como um cão, torturado pelos garotos maus. Israel era a escória da escória.
Um dia Israel se aproximou de um menino. De nove anos, chamado Lucas. Olhos de amêndoa, rosto de esconderijo. Bom de bola, bom de rua. De tanto gostar do menino que lhe sorriu, Israel o seguiu até a escola. Israel chegou até lá por fome. De comida, de afago, de lápis de cor. Fome de um olhar.
Eliane, a professora, descobriu Israel. Desajeitado, envergonhado. Um vulto, um espectro na porta da escola. Com um sorriso inocente e uns olhos de vira-lata pidão. Eliane viu Israel. E Israel se viu refletido no olhar de Eliane. E o que se passou naquele olhar foi um milagre de gente. Israel descobriu nos olhos da professora que era um homem, não um escombro.
Israel perseguiu o olho de espelho da professora. E, quando perceberam, Israel estava na janela da sala de aula da segunda série C. Uma cena e tanto. Israel na janela, espiando para dentro. Cantando no lado de fora, desenhando com os olhos. Quando o chamavam, fugia.
E, num dia de agosto, Israel completou a subversão. Cruzou a porta e pintou bonecos de papel. Israel estava todo dentro do olhar da professora. Israel, o pária, tinha se transformado em Israel, o amigo. Ganhou roupas, ganhou pasta, ganhou lápis de cor. Trazia até umas pupilas novas, enormes, iluminadas. E um sorriso também recém-inventado.
Israel, capturado pelo olhar da professora, nunca mais a abandonou. Vive hoje nesse olhar em formato de sala de aula, cercado por 31 pares de olhos de infância que lhe contam histórias, puxam a mão e lhe ensinam palavras novas. E as crianças, que têm na escola um intervalo entre a violência e a fome, descobriram-se livres de todos os destinos traçados nos olhos de Israel.
(Eliane Brum. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2006. Excerto adaptado)

A leitura da narrativa permite concluir que foi fundamental para a transformação pela qual passa Israel

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História de um olhar
O mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. Diminutos, invisíveis. O mundo é salvo por um olhar. Que envolve e afaga. Abarca. Resgata. Reconhece. Salva.
Inclui.
Esta é a história do olhar de uma professora chamada Eliane Vanti e de um andarilho chamado Israel Pires.
Um olhar que nasceu na Vila Kephas. Nesta vila, cheia de presságios e de misérias, vagava um rapaz de 29 anos com o nome de Israel. Imundo, meio abilolado, malcheiroso, Israel vivia atirado num canto ou outro da vila. Desregulado das ideias, segundo o senso comum. Escorraçado como um cão, torturado pelos garotos maus. Israel era a escória da escória.
Um dia Israel se aproximou de um menino. De nove anos, chamado Lucas. Olhos de amêndoa, rosto de esconderijo. Bom de bola, bom de rua. De tanto gostar do menino que lhe sorriu, Israel o seguiu até a escola. Israel chegou até lá por fome. De comida, de afago, de lápis de cor. Fome de um olhar.
Eliane, a professora, descobriu Israel. Desajeitado, envergonhado. Um vulto, um espectro na porta da escola. Com um sorriso inocente e uns olhos de vira-lata pidão. Eliane viu Israel. E Israel se viu refletido no olhar de Eliane. E o que se passou naquele olhar foi um milagre de gente. Israel descobriu nos olhos da professora que era um homem, não um escombro.
Israel perseguiu o olho de espelho da professora. E, quando perceberam, Israel estava na janela da sala de aula da segunda série C. Uma cena e tanto. Israel na janela, espiando para dentro. Cantando no lado de fora, desenhando com os olhos. Quando o chamavam, fugia.
E, num dia de agosto, Israel completou a subversão. Cruzou a porta e pintou bonecos de papel. Israel estava todo dentro do olhar da professora. Israel, o pária, tinha se transformado em Israel, o amigo. Ganhou roupas, ganhou pasta, ganhou lápis de cor. Trazia até umas pupilas novas, enormes, iluminadas. E um sorriso também recém-inventado.
Israel, capturado pelo olhar da professora, nunca mais a abandonou. Vive hoje nesse olhar em formato de sala de aula, cercado por 31 pares de olhos de infância que lhe contam histórias, puxam a mão e lhe ensinam palavras novas. E as crianças, que têm na escola um intervalo entre a violência e a fome, descobriram-se livres de todos os destinos traçados nos olhos de Israel.
(Eliane Brum. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2006. Excerto adaptado)

A expressão destacada na frase do 5° parágrafo “De tanto gostar do menino que lhe sorriu, Israel o seguiu até a escola.” exprime, no contexto,

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