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História de um olhar
O mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. Diminutos, invisíveis. O mundo é salvo por um olhar. Que envolve e afaga. Abarca. Resgata. Reconhece. Salva.
Inclui.
Esta é a história do olhar de uma professora chamada Eliane Vanti e de um andarilho chamado Israel Pires.
Um olhar que nasceu na Vila Kephas. Nesta vila, cheia de presságios e de misérias, vagava um rapaz de 29 anos com o nome de Israel. Imundo, meio abilolado, malcheiroso, Israel vivia atirado num canto ou outro da vila. Desregulado das ideias, segundo o senso comum. Escorraçado como um cão, torturado pelos garotos maus. Israel era a escória da escória.
Um dia Israel se aproximou de um menino. De nove anos, chamado Lucas. Olhos de amêndoa, rosto de esconderijo. Bom de bola, bom de rua. De tanto gostar do menino que lhe sorriu, Israel o seguiu até a escola. Israel chegou até lá por fome. De comida, de afago, de lápis de cor. Fome de um olhar.
Eliane, a professora, descobriu Israel. Desajeitado, envergonhado. Um vulto, um espectro na porta da escola. Com um sorriso inocente e uns olhos de vira-lata pidão. Eliane viu Israel. E Israel se viu refletido no olhar de Eliane. E o que se passou naquele olhar foi um milagre de gente. Israel descobriu nos olhos da professora que era um homem, não um escombro.
Israel perseguiu o olho de espelho da professora. E, quando perceberam, Israel estava na janela da sala de aula da segunda série C. Uma cena e tanto. Israel na janela, espiando para dentro. Cantando no lado de fora, desenhando com os olhos. Quando o chamavam, fugia.
E, num dia de agosto, Israel completou a subversão. Cruzou a porta e pintou bonecos de papel. Israel estava todo dentro do olhar da professora. Israel, o pária, tinha se transformado em Israel, o amigo. Ganhou roupas, ganhou pasta, ganhou lápis de cor. Trazia até umas pupilas novas, enormes, iluminadas. E um sorriso também recém-inventado.
Israel, capturado pelo olhar da professora, nunca mais a abandonou. Vive hoje nesse olhar em formato de sala de aula, cercado por 31 pares de olhos de infância que lhe contam histórias, puxam a mão e lhe ensinam palavras novas. E as crianças, que têm na escola um intervalo entre a violência e a fome, descobriram-se livres de todos os destinos traçados nos olhos de Israel.
(Eliane Brum. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2006. Excerto adaptado)

O texto narra a história

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Maria

Maria estava parada há mais de meia hora no ponto de ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. Os ônibus estavam aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. O osso do pernil e as frutas que tinham enfeitado a mesa. Ganhara as frutas e uma gorjeta. O osso a patroa ia jogar fora. Estava feliz, apesar do cansaço. A gorjeta chegara numa hora boa. Os dois filhos menores estavam muito gripados. Precisava comprar xarope e aquele remedinho de desentupir o nariz. Daria para comprar também uma lata de Toddy. As frutas estavam ótimas e havia melão. As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?
(Conceição Evaristo. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2014. Adaptado)

A relação de sentido entre as orações no trecho – Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. Os ônibus estavam aumentando tanto! – também se observa em:

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Centenário da violeira Helena Meirelles (1924-2005)

Foi na fazenda Jararaca, embarcadouro de gado localizado na margem direita do rio Paraná, leste de Mato Grosso do Sul, que desabrochou artisticamente a violeira, cantora e compositora Helena Meirelles (1924-2005). Nascida numa época em que eram raras as mulheres que tocavam qualquer que fosse o instrumento, ela desafiou tal impedimento ainda criança, quando aprendeu a dedilhar suas primeiras “modas” com um tio, em festas familiares. Anos mais tarde, uma nova afronta: para seguir tocando, já adolescente, Helena fugiu de casa, em mais um dos episódios que marcaram uma vida cheia de escolhas que conduziram seus futuros passos e que tornaram, ela e sua viola, inseparáveis.
“Desde pequenininha, já nasci com aquilo. Eu via tocarem violão e ficava doidinha, queria tocar. Ficava olhando os paraguaios, na afinação, no solo, e fui gravando. Minha cabeça era um gravador (…) eu já queria ser eu como eu sou até hoje. Só Deus e mais ninguém para me escorar. Ninguém manda em mim. Eu sou a dona do meu nariz e da minha direção”, afirmou a artista no documentário Dona Helena (2006), de Dainara Toffoli.
O espírito rebelde só não foi maior que o extraordinário dom para os acordes, refletido na técnica desenvolvida de forma autodidata e internacionalmente reconhecida. “A eficiência instrumental de Helena resultava de uma vida dedicada a tocar, com exceção de períodos em que trabalhou na roça, foi lavadeira, empregada doméstica, e quando viveu em fazendas no Mato Grosso do Sul. E isso aliado ao seu talento natural”, analisa o músico e jornalista Mário de Araújo. Sobrinho da artista, ele conta que Helena tocava bem com qualquer violão ou viola à mão.
(Manuela Ferreira. Centenário da violeira Helena Meirelles [1924-2005]. Revista E, agosto de 2024, Adaptado)

No último parágrafo, o sobrinho da artista afirma que ela teria um “talento natural” para o instrumento. O trecho do texto que reafirma essa ideia é:

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Centenário da violeira Helena Meirelles (1924-2005)

Foi na fazenda Jararaca, embarcadouro de gado localizado na margem direita do rio Paraná, leste de Mato Grosso do Sul, que desabrochou artisticamente a violeira, cantora e compositora Helena Meirelles (1924-2005). Nascida numa época em que eram raras as mulheres que tocavam qualquer que fosse o instrumento, ela desafiou tal impedimento ainda criança, quando aprendeu a dedilhar suas primeiras “modas” com um tio, em festas familiares. Anos mais tarde, uma nova afronta: para seguir tocando, já adolescente, Helena fugiu de casa, em mais um dos episódios que marcaram uma vida cheia de escolhas que conduziram seus futuros passos e que tornaram, ela e sua viola, inseparáveis.
“Desde pequenininha, já nasci com aquilo. Eu via tocarem violão e ficava doidinha, queria tocar. Ficava olhando os paraguaios, na afinação, no solo, e fui gravando. Minha cabeça era um gravador (…) eu já queria ser eu como eu sou até hoje. Só Deus e mais ninguém para me escorar. Ninguém manda em mim. Eu sou a dona do meu nariz e da minha direção”, afirmou a artista no documentário Dona Helena (2006), de Dainara Toffoli.
O espírito rebelde só não foi maior que o extraordinário dom para os acordes, refletido na técnica desenvolvida de forma autodidata e internacionalmente reconhecida. “A eficiência instrumental de Helena resultava de uma vida dedicada a tocar, com exceção de períodos em que trabalhou na roça, foi lavadeira, empregada doméstica, e quando viveu em fazendas no Mato Grosso do Sul. E isso aliado ao seu talento natural”, analisa o músico e jornalista Mário de Araújo. Sobrinho da artista, ele conta que Helena tocava bem com qualquer violão ou viola à mão.
(Manuela Ferreira. Centenário da violeira Helena Meirelles [1924-2005]. Revista E, agosto de 2024, Adaptado)

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a trajetória de Helena Meirelles foi marcada por obstáculos tais quais

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Centenário da violeira Helena Meirelles (1924-2005)

Foi na fazenda Jararaca, embarcadouro de gado localizado na margem direita do rio Paraná, leste de Mato Grosso do Sul, que desabrochou artisticamente a violeira, cantora e compositora Helena Meirelles (1924-2005). Nascida numa época em que eram raras as mulheres que tocavam qualquer que fosse o instrumento, ela desafiou tal impedimento ainda criança, quando aprendeu a dedilhar suas primeiras “modas” com um tio, em festas familiares. Anos mais tarde, uma nova afronta: para seguir tocando, já adolescente, Helena fugiu de casa, em mais um dos episódios que marcaram uma vida cheia de escolhas que conduziram seus futuros passos e que tornaram, ela e sua viola, inseparáveis.
“Desde pequenininha, já nasci com aquilo. Eu via tocarem violão e ficava doidinha, queria tocar. Ficava olhando os paraguaios, na afinação, no solo, e fui gravando. Minha cabeça era um gravador (…) eu já queria ser eu como eu sou até hoje. Só Deus e mais ninguém para me escorar. Ninguém manda em mim. Eu sou a dona do meu nariz e da minha direção”, afirmou a artista no documentário Dona Helena (2006), de Dainara Toffoli.
O espírito rebelde só não foi maior que o extraordinário dom para os acordes, refletido na técnica desenvolvida de forma autodidata e internacionalmente reconhecida. “A eficiência instrumental de Helena resultava de uma vida dedicada a tocar, com exceção de períodos em que trabalhou na roça, foi lavadeira, empregada doméstica, e quando viveu em fazendas no Mato Grosso do Sul. E isso aliado ao seu talento natural”, analisa o músico e jornalista Mário de Araújo. Sobrinho da artista, ele conta que Helena tocava bem com qualquer violão ou viola à mão.
(Manuela Ferreira. Centenário da violeira Helena Meirelles [1924-2005]. Revista E, agosto de 2024, Adaptado)

O efeito de humor da tira deve-se à

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        Toda criança aprende. A condição humana é aprendida. Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais e pedagógicas atuais, a maioria deles sustentada por uma concepção inatista de aprendizagem. Fundamenta-se no pressuposto de que já nascemos com certas disposições para aprender ou não. Isso gera controvérsias e complexidades: alguns teriam as “capacidades” de aprendizagem, outros e outras não “teriam” essas qualidades.
        Para nossa concepção de educação, os chamados bloqueios de aprendizagem devem ser analisados em sua totalidade, muito mais como um problema da tradição pedagógica autoritária e da forma conservadora de organizar a escola e o currículo do que uma suposta “falha” da criança. Hoje, a ditadura da sociedade tecnológica, a apelação consumista, a raridade de espaços humanizadores, a lacuna na formação artística, teatral, musical, fazem com que a indústria cultural seja um grande poluente sonoro e visual, chegando aos corações e mentes das crianças sem dispositivos de crítica da proposta pedagógica da escola, na direção de mostrar outra música, outro repertório, outras brincadeiras, outras danças.
        Criar espaços de humanização, de exposição serena das crianças a outras coordenadas antropológicas, a outra atmosfera de sentido, a outra música, de outra arte, de alegria, de teatro, de conversas, ajuda muito a “desbloquear” qualquer pessoa! A escola, para mim, deve ter clareza de ser contraponto, competente e lúcido, à indústria cultural alienante e consumista. Mostrar os grandes mestres e mestras da humanidade, neste tempo especial de aprender, é um trunfo inaudito! O conhecimento sensível e a sensibilidade esclarecida são os condutores do afeto e da lucidez crítica. Ensinar a pensar e a sentir!
        Precisamos superar os ritos classificatórios e meritocráticos tradicionais. Os pais e professores podem começar avaliando o contexto pleno da criança, seu mundo, seus estímulos, internos e externos, ouvindo suas queixas, aceitando suas versões, buscando superar as contradições que levam àquele resultado. Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo; depreende-se que a nota é resultante de uma estrutura baseada na memória e na retenção de informação. Ora, tomada estritamente, esta suposta qualidade mnemônica assemelha-se ao depositário de um “chip”, que está disponível na internet, o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade ou de volume de informação do que a escola.
        A Escola que eu sonho é mais do que informação e memória, é aquela capaz de transformar a informação em algo subjetivo, agradável, pertinente, com sentido para a vida das crianças e dos adolescentes! Isto é o que se designa como aprendizagem significativa, que guarda sentido para a criança, para seu universo, para seu mundo. E dele, como sujeito, a criança poderá alçar aos mais longínquos horizontes. 
(César Nunes. Toda criança aprende – aprender é existir. In: Da educação que ama ao amor que educa. Principis, 2023. Adaptado)

Segundo o autor do texto, é necessário superar a abordagem classificatória e meritocrática da educação visto que

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        Toda criança aprende. A condição humana é aprendida. Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais e pedagógicas atuais, a maioria deles sustentada por uma concepção inatista de aprendizagem. Fundamenta-se no pressuposto de que já nascemos com certas disposições para aprender ou não. Isso gera controvérsias e complexidades: alguns teriam as “capacidades” de aprendizagem, outros e outras não “teriam” essas qualidades.
        Para nossa concepção de educação, os chamados bloqueios de aprendizagem devem ser analisados em sua totalidade, muito mais como um problema da tradição pedagógica autoritária e da forma conservadora de organizar a escola e o currículo do que uma suposta “falha” da criança. Hoje, a ditadura da sociedade tecnológica, a apelação consumista, a raridade de espaços humanizadores, a lacuna na formação artística, teatral, musical, fazem com que a indústria cultural seja um grande poluente sonoro e visual, chegando aos corações e mentes das crianças sem dispositivos de crítica da proposta pedagógica da escola, na direção de mostrar outra música, outro repertório, outras brincadeiras, outras danças.
        Criar espaços de humanização, de exposição serena das crianças a outras coordenadas antropológicas, a outra atmosfera de sentido, a outra música, de outra arte, de alegria, de teatro, de conversas, ajuda muito a “desbloquear” qualquer pessoa! A escola, para mim, deve ter clareza de ser contraponto, competente e lúcido, à indústria cultural alienante e consumista. Mostrar os grandes mestres e mestras da humanidade, neste tempo especial de aprender, é um trunfo inaudito! O conhecimento sensível e a sensibilidade esclarecida são os condutores do afeto e da lucidez crítica. Ensinar a pensar e a sentir!
        Precisamos superar os ritos classificatórios e meritocráticos tradicionais. Os pais e professores podem começar avaliando o contexto pleno da criança, seu mundo, seus estímulos, internos e externos, ouvindo suas queixas, aceitando suas versões, buscando superar as contradições que levam àquele resultado. Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo; depreende-se que a nota é resultante de uma estrutura baseada na memória e na retenção de informação. Ora, tomada estritamente, esta suposta qualidade mnemônica assemelha-se ao depositário de um “chip”, que está disponível na internet, o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade ou de volume de informação do que a escola.
        A Escola que eu sonho é mais do que informação e memória, é aquela capaz de transformar a informação em algo subjetivo, agradável, pertinente, com sentido para a vida das crianças e dos adolescentes! Isto é o que se designa como aprendizagem significativa, que guarda sentido para a criança, para seu universo, para seu mundo. E dele, como sujeito, a criança poderá alçar aos mais longínquos horizontes. 
(César Nunes. Toda criança aprende – aprender é existir. In: Da educação que ama ao amor que educa. Principis, 2023. Adaptado)

O autor considera que toda criança aprende, a partir da concepção de que

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Na fala do personagem da charge acima, cada uma das formas verbais "derrote" e "aparecem" indica:

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Era noite e eu costumava dormir cedo naquela época. Já estava nos primeiros preparativos para isso quando escutei que batiam à porta. Eu não conhecia muita gente por ali e imaginei que só podia ser a velhinha. De vez em quando ela vinha pedir a minha ajuda em alguma coisa. Por alguma razão, ela havia simpatizado comigo. Talvez eu tenha mesmo a aparência de bom moço. Costumo ser paciente com os outros, provavelmente por saber que é assim que eu preciso que os outros sejam comigo. Só que não é sempre que estou de boa vontade. Essa velhinha já havia batido à minha porta em horas inoportunas. Nunca deixei de atender, mas foi ao custo de muito domínio próprio que escondi o meu incômodo. 
(...) Como em noites anteriores, ela me estendeu o seu celular. Um modelo antiquíssimo, desses que só servem para telefonar e mandar mensagem. Para a velhinha, eu representava a geração Z, aquela gente que já nasceu conectada e que entende tudo sobre tecnologia. Os óculos, de certo, completavam essa impressão. Mas a verdade é que eu pouco entendo desse mundo, mal consigo lidar com o meu próprio celular. Muitas vezes já aconteceu de me passarem o celular para ver se eu resolvia algum problema e eu devolver sem ter conseguido absolutamente nada. A sorte é que o problema da velhinha era mais fácil. 
Ora, ela apenas não estava conseguindo ligar o dito cujo. Não era a primeira vez que isso acontecia, ela imaginava que fosse algum problema do celular, que tivesse estragado ou algo do tipo. Mas eu peguei o celular e, como das outras vezes, segurei o botão de ligar por alguns segundos, até que ele desse algum sinal de vida. Não demorou e uma imagem apareceu na tela, comprovando o sucesso do meu método. Eu era jovem e não podia entender como é que alguém não conseguia ligar o celular. Uma vez, vá lá. Mas eu já havia explicado para a velhinha várias vezes como é que se faz para ligar um celular, e ela sempre voltava, e sempre achava que o problema era o celular. 
(...) Devolvido o celular, ela me agradeceu, com exagero, deu boa noite e voltou para casa. Talvez nós nos víssemos novamente na noite seguinte.

O texto "A velhinha e o celular" é predominantemente:

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Assinale a alternativa cuja palavra destacada apresenta ambiguidade (dupla possibilidade de interpretação), gerando um enunciado não recomendável na redação oficial.

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Assinale a alternativa em que o sentido da palavra destacada abrange todo o enunciado, e não apenas parte dele.

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Desconheço a pessoa que não possui ao menos uma rede social ativa. Raro também encontrar alguém que só tenha uma e que pouco a utiliza. Não há como negar as grandes vantagens das redes sociais nas nossas vidas. Encurtamos distâncias entre pessoas, nos mantemos informados sobre diversos assuntos, compartilhamos nossos sentimentos, etc. Poderia ficar linhas e linhas falando sobre as coisas boas das redes sociais no nosso cotidiano. 
Mas nem tudo são flores. A rede social também é local de desrespeito, ofensas, crimes, exposição e tudo aquilo que condenamos (e que, muitas vezes, fazemos sem perceber). Contudo, tudo isso que falei até agora não é novidade para ninguém. Vantagens, desvantagens... Ok. Muitas pessoas já abordam esses assuntos. Então, qual o ponto a que eu gostaria de chegar? 
Estamos ficando cada vez mais imediatistas. Geramos uma autocobrança desnecessária, do tipo: preciso postar, preciso falar que estou bem, preciso compartilhar a minha vida boa, preciso sorrir sempre, preciso me mostrar, preciso ser melhor que o outro. E, pior, preciso fazer isso sempre e antes de todo mundo. (...) 
Troquei boa parte das minhas horas nas redes sociais pela leitura de livros. E isso foi maravilhoso. Não estou falando que a mudança de hábito foi rápida ou fácil. Na verdade, foi demorada e gradual. À noite, antes de dormir, por exemplo, eu passava mais ou menos uma hora zapeando no Twitter ou Instagram. Hoje, dedico essa hora à leitura de um bom romance. Resultado: minha escrita melhorou, naturalmente tenho mais conteúdo para compartilhar (...) e ainda tenho sonos muito mais regulares. 
Por fim, acredito que o primeiro passo deva ser um diagnóstico. Você deve se entender, se questionar. Após isso, pense o que mais você poderia fazer para não ficar tão refém de uma rede social. Acredite, essa mudança de hábito trará bons resultados para você.

“Mas nem tudo são flores.” 

Em relação à concordância efetuada na forma verbal destacada no trecho acima, é correto afirmar que ela se dá:

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Na fala do personagem da charge acima, as palavras “já” e “aqui” apresentam, na mesma ordem, os sentidos de:


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Um jovem acabou seus ensinamentos espirituais e queria discípulos para ensinar. Não conseguiu ninguém na sua cidade e foi para outro lugar. Só que essa nova cidade já tinha um velho e sábio mestre. 
O rapaz teve uma ideia. Pegou um pequeno passarinho e o prendeu na mão. Foi até o velho mestre e perguntou: 
– Meu senhor, quero tirar uma dúvida: tenho nessa mão um passarinho. Ele está vivo ou morto? Onde está a verdade? 
Se o mestre respondesse que a ave estava morta, o rapaz abriria a mão e deixaria o passarinho voar. E se o mestre dissesse que estava vivo, o jovem apertaria a mão e o esmagaria. Dessa forma o velho mestre ficaria desmoralizado diante de seus discípulos. O velho sábio olhou para o rapaz e disse com um leve sorriso: 
– Meu jovem, essa verdade depende só de você. 

Entre as expressões empregadas no texto, assinale aquela que apresenta mudança de sentido geral com a inversão dos termos entre si.

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Um jovem acabou seus ensinamentos espirituais e queria discípulos para ensinar. Não conseguiu ninguém na sua cidade e foi para outro lugar. Só que essa nova cidade já tinha um velho e sábio mestre. 
O rapaz teve uma ideia. Pegou um pequeno passarinho e o prendeu na mão. Foi até o velho mestre e perguntou: 
– Meu senhor, quero tirar uma dúvida: tenho nessa mão um passarinho. Ele está vivo ou morto? Onde está a verdade? 
Se o mestre respondesse que a ave estava morta, o rapaz abriria a mão e deixaria o passarinho voar. E se o mestre dissesse que estava vivo, o jovem apertaria a mão e o esmagaria. Dessa forma o velho mestre ficaria desmoralizado diante de seus discípulos. O velho sábio olhou para o rapaz e disse com um leve sorriso: 
– Meu jovem, essa verdade depende só de você. 

No texto “O velho mestre”, é correto afirmar que o narrador é:

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O que é ser feliz?

      Se você pensa que serei capaz de dar essa resposta, não se iluda. Mas, deve estar se perguntando: por que o título, então? Simples! Acordei e encontrei a crônica da Danuza Leão na Folha de S. Paulo falando sobre o tema. Fiquei alguns minutos pensando sobre isso e decidi me jogar no assunto, mesmo que ninguém, muito menos eu, seja capaz de esgotar tal questão. 
      Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos. Quando estamos em “o momento de felicidade” nossa preocupação é viver e ao voltarmos os olhos para trás pensamos ou concluímos: como fomos felizes ou infelizes ali. Naquele amor correspondido, no nascimento do filho, na brincadeira da infância, no livro lido, no sorriso dado... 
      Hoje, por exemplo, estou com aquela sensação de felicidade. Acordei, folheei o jornal – um dos maiores prazeres que tenho aos domingos –, li de cabo a rabo, em seguida tomei um ótimo café da manhã preparado às escondidas, com carinho, e com pão de queijo quente. E para tudo ficar mais perfeito, deu aquela preguiça e cochilei antes que pensasse no almoço. Foi o dia de descanso perfeito. Foi: terceira pessoa do pretérito perfeito. 
      Por outro lado, alguns autores afirmam que não existe a felicidade e sim momentos de alegria. Logo, não discordando de Danuza, é uma outra forma de vê-la. Mesmo que seja no passado, é feita de início, meio e fim. Acaba! Não é um estado de espírito. Ninguém é feliz o tempo todo, apenas existem momentos assim. Daí fico pensando, enquanto escrevo aqui, não estou feliz? Após tantos momentos anteriores de prazer? Talvez, daqui a meia hora conclua: sim, enquanto escrevia eu era! Já que ninguém é feliz, foi! (...) 

  • FARIA, Celso. O que é ser feliz? Blog e-urbanidade. Disponível em <https://eurbanidade.com.br/o-que-e-serfeliz-cronica-blog-e-urbanidade/>.

Em relação à estrutura do texto “O que é ser feliz?”, é correto afirmar que o autor:

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As crianças não são o futuro do mundo

      Só existe uma frase que me incomoda mais do que perguntar a uma criança o que ela quer ser quando crescer, que é quando nos referimos aos pequenos como sendo eles o futuro do mundo.   
      Ainda tocado pela palestra da jornalista Eliane Brum, a que tive o privilégio de assistir na última semana aqui em Santa Maria, guardei em minhas anotações algo dito por ela, que se encaixa perfeitamente no meu texto de hoje. 
      Enquanto falava acerca de sua luta em defesa da Amazônia e do quanto precisamos “acordar” em relação ao aquecimento global, a jornalista mais premiada da história do nosso país foi enfática quando afirmou que “estamos destruindo o mundo dos nossos filhos”. 
      Foram palavras que me atingiram em cheio, como uma flecha precisamente lançada sobre o peito, que impacta, causa dor e desconforto. O que eu senti tem a ver com o significado prático dessa frase, é claro: estamos destruindo o mundo. Mas, para além disso, fui imediatamente tocado por algo que é inseparável de mim há quase quatro anos, desde que me tornei pai. 
      Só de imaginar que a minha filha poderá encontrar um mundo com a natureza destruída e sem elementos básicos para a sua sobrevivência, como, por exemplo, água potável, senti uma angústia que preciso compartilhar. 
      Eu sei que já existem muitas pessoas conectadas por esta mínima consciência de que precisamos mudar os nossos hábitos, se quisermos preservar a nossa espécie. Mas ainda são poucos, muito poucos. Eu, por exemplo, já consigo separar cotidianamente o lixo orgânico do seco; porém, me vejo tomado por hábitos de consumo – e geração de resíduos – completamente desnecessários. Eu não tenho colaborado para que o mundo da minha própria filha exista no futuro. 
      O que tudo isso tem a ver com dizer para as crianças que elas são o futuro do mundo? Tudo! Percebam a dupla violência que estamos cometendo com as crianças de hoje e também com as que ainda estão por nascer. Colocamos nelas a responsabilidade de “ser o futuro” de um mundo que nós estamos destruindo. (...) 
RIBEIRO, Gilvan. As crianças não são o futuro do mundo. Disponível em <https://claudemirpereira.com.br/2019/05/croni ca-gilvan-ribeiro-o-ambiente-e-o-mundo-queestamos-produzindo-para-entregar-as-nossascriancas/>.

O que justifica o conteúdo do título do texto “As crianças não são o futuro do mundo”, segundo o autor, é que:

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Texto associado
Encontrar nossa voz e_____________, especialmente em atos de rebelião crítica e resistência, afastando o medo, continua sendo uma das formas mais poderosas de mudar vidas pelo pensamento e práticas feministas”. Nesta coletânea de ensaios, publicada originalmente em 1989 nos Estados Unidos – e que só agora chega aos leitores brasileiros –, bell hooks articula experiências íntimas___________teorização feminina para incentivar homens e mulheres explorados, colonizados e oprimidos_____________romper silêncios e encontrar uma voz. A fala e a escuta de si, defende hooks, _____________o movimento em direção___________posição de sujeitos – com isso, uma transformação significativa acontece tanto para o “eu” quanto para a sociedade.

                                                                        (Cult, junho de 2019. Adaptado)

No texto, a frase intercalada – e que só agora chega aos leitores brasileiros – tem a função de

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Texto associado
Professores do Brasil 

    Um estudo recente com o mesmo título desta coluna, lançado pela Unesco e pela Fundação Carlos Chagas, traz novas luzes sobre a profissão de professor no país. 
    Há boas notícias: uma maior diversidade entre os mestres e um número maior de inscritos em cursos de formação inicial. Mas, por trás desses fatos alvissareiros, aparece um desafio. 
    Na verdade, o aumento nas inscrições não reflete maior prestígio da carreira, afinal só 2,9% dos jovens brasileiros de 15 anos dizem desejar ser docentes da educação básica. 
    Na publicação, ressalta-se que 46% das matrículas se deram na modalidade de ensino a distância, o que é claramente inadequado para uma profissão que exige intensa conexão com a prática. 
    Ora, as competências para esse trabalho dificilmente podem ser desenvolvidas em um curso a distância. Seria o mesmo que esperar que um médico aprendesse a operar pacientes em cursos puramente teóricos e online. 
    Muitos dos cursos oferecidos o são por instituições privadas que não produzem pesquisas e contam com currículos dissociados da realidade da escola. Além disso, a oferta de licenciaturas noturnas, com carga horária diminuta, associada a um estágio tão curto quanto ritualístico, enfraquece a possibilidade de aprendizado efetivo. 
    Sabemos hoje que a qualidade do professor é o fator determinante para assegurar excelência com equidade, o que pode ter impactos não só nos próprios alunos como na melhoria da produtividade, há tanto tempo estagnada, e na diminuição da pobreza e da desigualdade social. 
    Assim, investir em atratividade da carreira, com salários competitivos e acesso mais seletivo à profissão, aprimorar a formação que professores recebem no ensino superior, vinculando-a com a prática e associando-a aos achados das pesquisas recentes, é não apenas urgente mas também o caminho para a construção de um país mais justo e desenvolvido. 
(Claudia Costin, “Professores do Brasil”. Em: Folha de S.Paulo, 17.05.2019. Adaptado)

Considere as passagens: 

  • •  Mas, por trás desses fatos alvissareiros, aparece um desafio. (2o parágrafo) 
  • •  … e contam com currículos dissociados da realidade da escola. (6o parágrafo) 
  • •  … é o fator determinante para assegura excelência com equidade... (7º parágrado)

No contexto em que estão empregados, os termos em destaque significam, correta e respectivamente:

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