Pode confessar: você também já se pegou falando
“obrigado” para a inteligência artificial (IA). Pode parecer um
gesto trivial, talvez até um pouco tolo. Afinal, estamos falando
com um algoritmo, não com um ser senciente (ainda).
Longe de ser apenas uma afetação, agradecer à IA toca
em aspectos profundos da nossa biologia humana. Quando
somos gentis, algo fascinante acontece no cérebro.
Expressar gratidão ativa circuitos cerebrais ligados à
recompensa e à satisfação de necessidades do corpo e do
espírito, liberando dopamina e outras substâncias que geram
sensação de prazer. Estudos científicos têm confirmado que
pessoas mais gratas apresentam níveis mais altos de saúde
mental e resiliência emocional. Tamanha é sua força que a
gentileza pode se tornar um hábito, reforçada pela liberação
de ocitocina, o “hormônio do amor”, que reduz tensões e
estreita vínculos sociais.
Dizer “obrigado” a um assistente virtual pode não parecer
grande coisa, mas funciona como um pequeno exercício que
fortalece padrões positivos. Além disso, o custo ambiental
dessa gentileza é praticamente nulo. Embora IAs operem em
centrais de processamento que consomem energia e água,
uma interação individual como essa consome menos do que
assistir a um vídeo curto numa rede social.
Estabelecer normas de interação positivas, agora, pode
ser importante para futuros relacionamentos humano-IA,
especialmente se a IA se tornar significativamente mais
inteligente. Estabelecer uma base de interação respeitosa e
cortês pode ser importante para navegar nosso futuro com
sistemas avançados de IA, garantindo uma coexistência mais
harmoniosa e benéfica.
(Alexandre Chiavegatto Filho.
A ciência da gentileza: por que você deve continuar dizendo
“obrigado” ao ChatGPT. www.estadao.com.br,
30.04.2025. Adaptado)
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