Questões de concursos

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Encontradas 1526 questões

Dado o seguinte gráfico, assinale a alternativa que corresponde à porcentagem aproximada de jogadores que jogam vôlei e natação.

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Em uma pesquisa realizada em uma escola para analisar a preferência dos alunos por doces, foram entrevistados 150 alunos. Os doces avaliados foram bala e chiclete. Os resultados obtidos foram os seguintes:

  • ● 75 alunos gostam de bala;
  • ● 60 alunos gostam de chiclete;
  • ● 30 alunos gostam de bala e chiclete.

Com base nesses dados, assinale a alternativa que corresponde ao número de alunos que não gostam de nenhum dos dois doces.
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Uma cooperativa agrícola colheu 250 kg de grãos de café e os embalou em pacotes de 250 g cada. Durante a primeira semana de vendas, foram comercializados 400 desses pacotes. Considerando que todos os grãos coletados foram embalados, assinale a alternativa que apresenta a quantidade de pacotes que restaram no estoque após essa primeira semana de vendas.

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Um videogame de última geração tem seu preço de tabela fixado em R$ 4.000,00. Em uma queima de estoque, a loja oferece um desconto de 20% sobre o preço original para pagamentos à vista. Assinale a alternativa que apresenta o valor do videogame com o desconto aplicado.

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Assinale a alternativa que corresponde à maior raiz real da solução da seguinte equação:

x² + 8x − 20 = 0
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Para preparar uma mistura química, um técnico percebeu que “o quádruplo de um número desconhecido, subtraído de 7, é igual ao dobro desse mesmo número, somado com 13”. Assinale a alternativa que satisfaça essa condição.

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Assinale a alternativa que corresponde ao valor da soma das seguintes frações na forma irredutível:

33 + 26 + 54

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Assinale a alternativa que corresponde ao valor da seguinte expressão numérica: 50 – {10 + [25 – (15 – 4)] + 5}.

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Conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que NÃO apresenta um adjetivo pátrio.

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Assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem utilizada pelo autor da tirinha abaixo.

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Assinale a alternativa correta quanto à acentuação das palavras, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa e o acordo ortográfico vigente.

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Assinale a alternativa que apresenta o uso adequado da crase, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.

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Texto associado
A escrava

Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil.
O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.
— Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!
Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...
E depois, o caráter que nos imprime e nos envergonha!
O escravo é olhado por todos como vítima — e o é.
O senhor, que papel representa na opinião social?
O senhor é o verdugo — e esta qualificação é hedionda.
Eu vou narrar-vos, se me quiserdes prestar atenção, um fato que ultimamente se deu. Poderia citar-vos uma infinidade deles; mas este basta, para provar o que acabo de dizer sobre o algoz e a vítima.
E ela começou:
— Era uma tarde de agosto, bela como um ideal de mulher, poética como um suspiro de virgem, melancólica e suave como sons longínquos de um alaúde misterioso.
Eu cismava, embevecida na beleza natural das alterosas palmeiras que se curvaram gemebundas, ao sopro do vento, que gemia na costa.
E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.
Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.
De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.
Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.
Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.
Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.
Eu então a mim mesma, interroguei:
— Quem será a desditosa?
Ia procurá-la — coitada! Uma palavra de animação, um socorro, algum serviço, lembrei-me, poderia prestar-lhe. Erguime.
Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.
Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.
Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.
— Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.
— Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximandose de mim:
Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.
Aquele homem de aspecto feroz era o algoz daquela pobre vítima, compreendi com horror. De pronto, tive um expediente:
— Vi-a — tornei-lhe com a naturalidade que o caso exigia —, vi-a, e ela também me viu, corria em direção a este lugar; mas, parecendo intimidar-se com minha presença, tomou direção oposta, volvendo-se repentinamente sobre seus passos. Por fim, vi-a desaparecer, internando-se na espessura, muito além da senda que ali se abre.
E, dizendo isto, indiquei-lhe com um aceno a senda que ficava a mais de cem passos de distância, aquém do morro em que me achava.
Minhas palavras inexatas, o ardiu de que me servi, visavam a fazê-lo retroceder: logrei o meu intento.
REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado.

Leia o trecho abaixo, retirado do texto, para responder à questão 4.

“E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!...”

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e considerando o contexto do excerto, os verbos em destaque estão conjugados, respectivamente, no

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A escrava

Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil.
O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.
— Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!
Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...
E depois, o caráter que nos imprime e nos envergonha!
O escravo é olhado por todos como vítima — e o é.
O senhor, que papel representa na opinião social?
O senhor é o verdugo — e esta qualificação é hedionda.
Eu vou narrar-vos, se me quiserdes prestar atenção, um fato que ultimamente se deu. Poderia citar-vos uma infinidade deles; mas este basta, para provar o que acabo de dizer sobre o algoz e a vítima.
E ela começou:
— Era uma tarde de agosto, bela como um ideal de mulher, poética como um suspiro de virgem, melancólica e suave como sons longínquos de um alaúde misterioso.
Eu cismava, embevecida na beleza natural das alterosas palmeiras que se curvaram gemebundas, ao sopro do vento, que gemia na costa.
E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.
Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.
De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.
Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.
Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.
Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.
Eu então a mim mesma, interroguei:
— Quem será a desditosa?
Ia procurá-la — coitada! Uma palavra de animação, um socorro, algum serviço, lembrei-me, poderia prestar-lhe. Erguime.
Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.
Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.
Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.
— Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.
— Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximandose de mim:
Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.
Aquele homem de aspecto feroz era o algoz daquela pobre vítima, compreendi com horror. De pronto, tive um expediente:
— Vi-a — tornei-lhe com a naturalidade que o caso exigia —, vi-a, e ela também me viu, corria em direção a este lugar; mas, parecendo intimidar-se com minha presença, tomou direção oposta, volvendo-se repentinamente sobre seus passos. Por fim, vi-a desaparecer, internando-se na espessura, muito além da senda que ali se abre.
E, dizendo isto, indiquei-lhe com um aceno a senda que ficava a mais de cem passos de distância, aquém do morro em que me achava.
Minhas palavras inexatas, o ardiu de que me servi, visavam a fazê-lo retroceder: logrei o meu intento.
REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado.

No trecho “Eu então a mim mesma, interroguei: — Quem será a desditosa?”, a palavra em destaque pode ser substituída, mantendo o sentido original, por

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O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.
— Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!
Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...
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E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.
Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.
De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.
Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.
Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.
Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.
Eu então a mim mesma, interroguei:
— Quem será a desditosa?
Ia procurá-la — coitada! Uma palavra de animação, um socorro, algum serviço, lembrei-me, poderia prestar-lhe. Erguime.
Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.
Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.
Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.
— Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.
— Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximandose de mim:
Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.
Aquele homem de aspecto feroz era o algoz daquela pobre vítima, compreendi com horror. De pronto, tive um expediente:
— Vi-a — tornei-lhe com a naturalidade que o caso exigia —, vi-a, e ela também me viu, corria em direção a este lugar; mas, parecendo intimidar-se com minha presença, tomou direção oposta, volvendo-se repentinamente sobre seus passos. Por fim, vi-a desaparecer, internando-se na espessura, muito além da senda que ali se abre.
E, dizendo isto, indiquei-lhe com um aceno a senda que ficava a mais de cem passos de distância, aquém do morro em que me achava.
Minhas palavras inexatas, o ardiu de que me servi, visavam a fazê-lo retroceder: logrei o meu intento.
REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado.

Assinale a alternativa INCORRETA quanto à grafia das palavras retiradas do texto, de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.

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Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil.
O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.
— Admira-me — disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —, faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!
Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentre nós, convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...
E depois, o caráter que nos imprime e nos envergonha!
O escravo é olhado por todos como vítima — e o é.
O senhor, que papel representa na opinião social?
O senhor é o verdugo — e esta qualificação é hedionda.
Eu vou narrar-vos, se me quiserdes prestar atenção, um fato que ultimamente se deu. Poderia citar-vos uma infinidade deles; mas este basta, para provar o que acabo de dizer sobre o algoz e a vítima.
E ela começou:
— Era uma tarde de agosto, bela como um ideal de mulher, poética como um suspiro de virgem, melancólica e suave como sons longínquos de um alaúde misterioso.
Eu cismava, embevecida na beleza natural das alterosas palmeiras que se curvaram gemebundas, ao sopro do vento, que gemia na costa.
E o sol, dardejando seus raios multicores, pendia para o ocaso em rápida carreira.
Não sei que sensações desconhecidas me agitavam, não sei!... Mas sentia-me com disposições para o pranto.
De repente uns gritos lastimosos, uns soluços angustiados feriram-me os ouvidos, e uma mulher correndo, e em completo desalinho, passou por diante de mim, e como uma sombra desapareceu.
Segui-a com a vista. Ela espavorida, e trêmula, deu volta em torno de uma grande moita de murta, e colando-se no chão nela se ocultou.
Surpresa com a aparição daquela mulher, que parecia foragida, daquela mulher que um minuto antes quebrara a solidão com seus ais lamentosos, com gemidos magoados, com gritos de suprema angústia, permaneci com a vista alongada e o olhar fixo, no lugar que a vi ocultar-se.
Ela muda, e imóvel, ali quedou-se.
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Mas, no momento mesmo em que este pensamento, que acode a todo homem em idênticas circunstâncias, se me despertava, um homem apareceu no extremo oposto do caminho.
Era ele de cor parda, de estatura elevada, largas espáduas, cabelos negros, e anelados.
Fisionomia sinistra era a desse homem, que brandia, brutalmente, na mão direita um azorrague repugnante; e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho.
— Inferno! Maldição! — bradara ele com voz rouca. — Onde estará ela? — e perscrutava com a vista por entre os arvoredos desiguais que desfilavam à margem da estrada.
— Tu me pagarás — resmungava ele. — E aproximandose de mim:
Não viu, minha senhora — interrogou com acento, cuja dureza procurava reprimir —, não viu por aqui passar uma negra, que me fugiu das mãos ainda há pouco? Uma negra que se finge doida... Tenho as calças rotas de correr atrás dela por estas brenhas. Já não tenho fôlego.
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REIS, Maria Firmina dos. A escrava. 2. ed. Brasília: Edições Câmara, 2019. Adaptado.

A personagem, ao narrar o episódio da perseguição à mulher escravizada, busca instigar uma reação, um sentimento. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta o efeito produzido no leitor.

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Texto associado
Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.
Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).

Assinale a opção correta no que diz respeito a aspectos linguísticos do quarto período do texto 12A1-II — “Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua.”

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Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.
Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).

A coerência das ideias do texto 12A1-II seria mantida caso a expressão “No entanto” (antepenúltimo período) fosse substituída por

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Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.
Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos a aspectos linguísticos do penúltimo período do texto 12A1-II: “Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação.”

I O verbo da primeira oração do período classifica-se como transitivo direto e indireto.
II O verbo que compõe a segunda oração do período classifica-se como transitivo direto.
III O predicado da oração “isso seria pura mistificação” classifica-se como nominal.

Assinale a opção correta.

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Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.
Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).

Assinale a opção em que a proposta de substituição, no texto 12A1-II, da forma verbal “ensinam-se” (terceiro período) está de acordo com o uso da língua portuguesa em situações formais de linguagem.

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